Maniaca por Livros, Resenhas

Resenha 2

Paixão pelo único, pelo estranho, pelo caos, pela diferença.

Tal paixão guiou toda uma geração que se tornou única. Em 1960, em plena ditadura brasileira, tivemos um movimento feito pelos “estranhos”, incompreendidos e esquisitos. Alguns foram totalmente mal interpretados e convidados a se retirar do país. Mas bem antes tivemos um frevo Paulistano, um tanto quanto muito mais estranho, mais incompreendido e esquisito. Estreamos a modernidade, a arte moderna.

o melhor de mario de andrade

O melhor de Mário de Andrade feito pela Editoria Nova Fronteira traz textos com edição atualizada, cronológica e dividida em quatorze contos e crônicas de um dos participantes do famoso “Grupo dos 5” . Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Menotti del Picchia, Mário de Andrade e Oswald de Andrade foram o primeiro grupo a frente do movimento modernista brasileiro.

Confesso que conhecia pouca literatura de Mário de Andrade, mas tinha lido “Macunaíma”, “Será o Benedito!” e “Os filhos da Candinha” todos a pedido escola. Como todos, torci um pouco o nariz. Afinal, Harry Potter e a Ordem da Fenix estava tomando toda minha atenção juvenil. No entanto, com insistência, minha saudosa professora de literatura me mostrou qual a representatividade tais livros tinham para a formação cultural brasileira.

Uma grande surpresa foi o tom que suas crônicas tinham. Escritas em pleno governo Vargas, Mário de Andrade se utilizava da crônica para produzir jogos literários, inserindo personagens caricatos para fazer representatividade com problemas sociais e políticos.

Lendo tal livro percebi a minha distancia para o clássico. Sinto que negamos ou esquecemos a importância da literatura clássica. Somos às vezes apresentados de uma forma errada, sem muito entusiasmo, mas a iniciativa de coletâneas faz a curiosidade se tornar algo positivo. Por isso, recomendo O melhor de Mário de Andrade para reconhecer que os clássicos, principalmente brasileiros, podem ser uma experiência literária proveitosa.

 

Carlos

Maniaca por Livros, Resenhas

Resenha 2

Mania literária, todos temos. Ler a última palavra do livro, ler a última pagina (eu julgo quem faz isso), comprar um livro pela capa (quem nunca?), encher as páginas com post-it… Eu particularmente, sempre que termino um livro, gosto de ir atrás de uma frase que se encaixe perfeitamente ao roteiro. Mas dessa vez fui atrás de uma música, e encontrei. Então peço que leia minha crítica/resenha escutando essa música aqui.

Você não conhece uma pessoa até ouvir o que ela gosta…

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Bem, o novo “câncer” dos YA é o suicídio. Só este ano já li três livros que abordam este tópico e, infelizmente, Michelle Falkoff não conseguiu fazer dele um personagem do seu livro, mas sim um desvio para um desfecho.

Todo mundo conhece ou já conheceu um Sam e um Hayden, nossos protagonistas da estória. Sam e Hayden são os clássicos “geeks” (como é mencionado no livro) do high school americano. Ou é alto e magro demais ou é gordo e baixo demais. Gasta toda mesada nas Comics Shop, joga e pensa em vídeo game todo o tempo, e além disso, sofre com o famoso bullying.

É um prato cheio para os personagens terem algum desvio de personalidade ou problema no campo da psicologia, um tema já utilizado em vários filmes e livros, tanto que já se tornou um clichê americano. E quem sofre com isso é Hayden, nosso protagonista. Ele possui déficit de atenção e não tem lá uma família muito gentil. E Sam já entra como o único amigo de Hayden, no qual o termo BFF não é adequado.

Hayden, como já informa na sinopse do livro, leva seus problemas as últimas consequências: o suicídio. É natural um suicida deixar uma carta ou um bilhete, mas Hayden, como um garoto do século XXI, deixa um Ipod com uma playlist e um bilhete:

PARA SAM. OUÇA, VOCÊ VAI ENTENDER

O melhor desse livro é que a playlist se encontra em cada capitulo. Os capítulos não possuem nomes e sim uma musica. A autora nos convida á ouvir uma música de acordo com o capitulo, e o melhor é que cada música realmente diz algo sobre o capitulo ou traz uma mensagem subentendida para as emoções narradas por Sam, que é quem conta.

Partindo daí, vamos junto com Sam descobrir o porquê de seu único amigo cometer tal atitude. O livro possui uma narrativa um pouco obscura e investigativa, pois a cada momento descobrimos um Hayden diferente, alguém que o seu próprio amigo não conhecia. Isso transformou o livro em algo instigador, porém não é nenhum Stieg Larsson. Mas deve ser lembrado que o titulo do livro é “A Playlist de Hayden”, no entanto, a “playlist” não é tão importante assim, o que decepciona. A tal “playlist” simplesmente não tem uma sintonia com o roteiro do livro. Sabemos que ela existe, porém não é uma parte integrante ao livro, não se torna algo funcional.

Michelle Falkoff escreveu um livro de certa forma bonito, não muito encorajador, mas que mostra atitudes como perdão, aceitação e dúvida. Sim, dúvida, pois definitivamente “você não conhece uma pessoa até ouvir o que ela gosta…”.

Escute a playlist completa do livro.

Beijos!

Carlos