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Casais que eu não quero ser

Eles entram juntos, mas é como se existisse uma parede entre eles. As mãos não estão uma na outra e seus corpos sequer se tocam. Cada um vive em um mundo diferente. Ele conversa no telefone animadoramente com um amigo e ela olha em volta como se tivesse outros mil lugares melhores para ir.

Talvez não sejam um casal, penso. Ou talvez sejam namorados em reta final. Mas eu olho mais um pouco e o dourado no dedo de cada um deles me chama atenção. Não são namorados. Em algum momento da vida deles, mais do que se comprometerem a um namoro, eles se comprometeram a uma vida juntos.

Até que a morte nos separe.

Mas quem morre primeiro… o corpo ou o amor?

Eles se sentam e ela pede a comida enquanto ele sequer vacila em seu telefonema. Ele gargalha. Ela nem mesmo parecesse confortável. Minutos se passam. Muitos deles. Eles continuam a não se tocar. Ele brinca com papel, mas não toca sua mão. O assunto do telefone muda a todo o instante e em nenhum momento ouço ele dizer que irá ligar depois porque agora está jantando com a mulher. Não vejo olhares de carinho ou silenciosos pedidos de desculpa por precisar resolver aquilo agora. Não. Nada disso acontece. Ele não está trabalhando. Ele não sente muito por ter que abrir mão da companhia dela ao atender aquele telefonema interminável. Olho para ela e vejo o silêncio de quem já se acostumou com aquela situação. O semblante de quem já desistiu de pedir atenção e sempre receber um sonoro “não”.

A comida chega e ele ignora. Continua sem dizer que ligará depois. Ela come sozinha enquanto a parte dele espera. Penso na analogia ridícula entre a comida e a relação. O prato dele é como o casamento dos dois, a cada momento fica mais frio enquanto ele está ocupado fazendo coisas que julga mais importante.

Ela termina de comer e ele resolve que talvez seja a hora de se alimentar. Ele come. Uma mão no celular e outra na comida. Nenhuma em sua esposa. Ela não tem seu olhar, nem seu toque e muito menos seu carinho. Ela encara o vazio enquanto sua presença ali se torna cada vez mais dispensável para ele.

Meu telefone toca e eu percebo que é minha hora de partir. Olho uma última vez para eles e penso que esse é mais um dos casais que eu não quero ser. Não quero ser a mulher que de tão infeliz perde o brilho nos olhos. Não quero ser casada com alguém que está ao meu lado por comodidade. Não quero ser a pessoa que tem menos do que merece e oferece menos do que deveria. Se é para ser casal, que seja de corpo inteiro e verdadeiro. Se é para prometer amor eterno que seja com sinceridade.

Fui embora sem poder ver o que iria acontecer, mas com a certeza de que tudo ali continuaria igual. E fui torcendo para que chegue o dia em que ela tenha a coragem de levantar e ir embora, de buscar para ela a felicidade que merece. Porque amar o outro é importante, mas amar a si mesma é indispensável.

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As Caças Fantasmas e a representatividade feminina

Quando vi que esse filme iria ser produzido e lançado fiquei curiosa e até meio receosa, porque as pessoas têm uma grande tendência em estragar as coisas quando fazem refilmagens e afins. Mais medo ainda por serem quatro mulheres protagonistas. Não por elas serem mulheres, mas pelo que eles iriam fazer com isso. Sabe como é, a maior parte das vezes que eles tentam fazer uma “representatividade feminina” eles pisam na bola. E pisam feio.

Mas não foi dessa vez, camaradas! (Rose Hathaway* assumindo meu corpo e dizendo que ela também adorou o filme)

Os responsáveis pelo filme fizeram o dever de casa certinho. Por quê? Deixa eu explicar!

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Hoje eu acordei pensando em você

Hoje eu acordei pensando em você. Nas loucuras, nas brigas e nas risadas. Pensei em nós dois. Pensei nas vezes que lhe admirei e pensei que era perfeito para mim. Em todas as vezes que neguei tudo o que sentia, porque o nosso relacionamento não era para ser sentido, apenas vivido. E como nós adorávamos viver. Louca e intensamente. De preferência em alta velocidade. Talvez tenha sido essa a razão da batida ter sido tão forte. Era divertido e doce e irreal. Quando a realidade nos atingiu foi como um soco no estômago, como uma batida de carro sem sobreviventes. Mas nós deveríamos ter esperado por isso, não? Amores assim só existem nos livros e não resistem as verdades do dia a dia. A rotina, ao tempo e a distância.

Hoje eu acordei pensando em você. Em quando olhei em seus olhos sabendo que era a última vez. Lembro de pensar que eu sentiria falta daquilo, mas que também não conseguiria levar aquela vida por muito tempo. Você aumentava meu lado louco e eu fazia o mesmo por você. Por quanto tempo poderíamos sobreviver assim? Dois adultos brincando de criança com o pé no acelerador. Você me tornava irresponsável e eu o fazia inconsequente. Tudo era maravilhoso.

Hoje eu acordei pensando em você. No quanto da minha vida você mudou e do quanto me enlouqueceria se tivesse ficado. Talvez seja por isso que a vida tenha nos jogado de lados opostos, porque juntos somos venenosos um ao outro. Quando olho para trás, sem toda a adrenalina me consumindo, consigo ver o quanto tudo mudou. O quanto você me mudou. E o quanto eu mudei você.

Hoje acordei pensando em você. Na forma como eu ria antes de lhe conhecer, como minha barriga doía e o mundo parecia sempre tão divertido. Lembro que você gostava da minha risada e dizia para todos que me fazer rir era um caminho sem volta. Nós nos divertíamos. Mas quando tudo mudou… Você levou minha risada e minha forma de ver o mundo. Sua indiferença me levou a exaustão. Ninguém tinha destruído tanto de mim dessa forma. E você fez tudo tão lentamente que só agora percebi que aquela garota morreu no momento que nosso relacionamento em alta velocidade se chocou contra a realidade.

Hoje acordei pensando em você. No quanto sua opinião foi importante para mim e como mudei para você. Você mexeu em tudo, nas minhas roupas, nos meus cabelos, nas minhas unhas, no meu batom e no meu coração. Sem perceber, eu o dei a você e bem na minha frente ele foi jogado no chão e pisoteado.

Hoje acordei pensando em você. Nas lágrimas que demorei a derramar e na dor que demorei a admitir. Eu chorei por você. Chorei por ter sido feita de idiota, por tem confiado que tudo aquilo, por mais louco que fosse, era real. Mas talvez tenha sido real apenas para mim. Talvez para você tenha sido apenas mais um verão, um intervalo na sua vida que já tem início, meio e fim. Uma vida que você sabia que eu nunca faria parte.

Hoje acordei pensando em você. Na música que nós temos e você nunca soube e no sentimento que talvez eu sinta falta. Tantas pessoas vieram depois e eu continuei pensando em você, continuei sentindo falta de pisar no acelerador e viver com a adrenalina no limite. De me sentir cansada por ter vivido intensamente.

Hoje acordei pensando em você. Em como você e eu me deixa feliz, mas não me faz bem. Acordei pensando que esse deveria ser o último dia que penso em você.

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Isso é tão chato, sabia? Tudo seria mais fácil se eu, você e o resto do mundo tivéssemos um chip. Sim, um chip com todas as nossas informações importantes. Minha comida favorita, o livro que me faz chorar, aquele que me faz desejar acender um isqueiro e queimá-lo, a cor que mais gosto, as manias que repudio e as que acho fofas. Deveria dizer o quanto pego manias com facilidade, o quanto sou terrível para decorar nomes, como falo sozinha e como sou possessiva. Deveria ter tudo isso e um pouco mais.

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Estou morrendo de medo. Essa é a verdade mais dolorosa que já disse para mim mesma. E é algo tão novo e tão estranho. Acostumei-me a não temer, a não hesitar, a sequer pensar. E cá estou eu, pensando, titubeando, temendo. São tantos “e se” que eu me perco e me afogo.

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Me perguntaram se eu confiava em você e eu não soube responder. É uma pergunta simples, básica, um sim ou não, mas envolve tanta coisa. A verdade é que eu não sei realmente o que é confiar. Não tenho a menor ideia.

Você sabe?

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Há cinco anos, eu não parei para pensar em onde eu estaria nos próximos cinco anos, mas em algum lugar da minha mente, eu imaginava que você estaria nesse futuro. Mesmo que poucas vezes, mesmo que uma vez no ano, eu imaginava ver o seu rosto. Mas você não esteve aqui. Em nenhum dia desses cinco anos que se seguiram.

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Eu consigo me lembrar da primeira vez que te vi. Na época parecia meio idiota pensar que você faria parte do meu futuro ou eu do seu. Eramos diferentes, quase opostos completos. Você ria por tudo, até mesmo das minhas piadas sem graça. Você sabia fazer piada, eu nunca fui boa nisso. Você conhecia todos e os cumprimentava por onde passava, eu… Bem, eu nunca fui assim tão legal.

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