Maniaca por Livros, Resenhas

Amor a segunda vista – Mhairi McFarlane

AMOR-A-SEGUNDA-VISTA---13-10-15

Nada como esses livros comprados por acaso pelo simples fato de estarem baratos. Amor a segunda vista foi uma surpresa e tanto para mim. A capa rosa e o título fofo não dizem nada sobre o conteúdo que nos espera cheio de aprendizados.

E antes de começar essa resenha, eu vou parecer uma puxa saco ao dizer, pela milionésima vez, como a HarperCollins chegou para derrubar forninhos. Até hoje eu não li NENHUM livro deles que fosse ruim ou tivesse uma diagramação medonha. Pela primeira vez, acho que estou tendo uma editora favorita, desenvolvendo um amor cego pela HarperCollins da mesma forma que tenho pela Meg Cabot. Aquela confiança de comprar qualquer coisa desde que tenha o nome na capa. Até hoje tem dado certo.

Enfim, vamos falar de Anna e James.

Não importa quanto tempo passe ou quão modernos nos tornemos, a escola sempre acaba se dividindo entre os populares e os não populares. E dentro dos não populares existe sempre as pessoas que são “escolhidas” para serem alvos de brincadeiras maldosas e bullying. Essa pessoa era Anna. Gordinha, cabelos rebeldes, espinhas protuberantes, aparelhos brilhantes e de origem italiana. Além de tudo, apaixonada pelo cara mais popular de todos.

Aí, claro, você já pensa no clichê “Ah, ele vai ver como ela é legal e vai se apaixonar por ela.”. Só que não. Na verdade ele faz uma coisa muito maldosa que acaba marcando Aurelianna para o resto da vida. O suficiente para fazê-la mudar não só o nome como todo o resto. É simplesmente terrível. E mesmo 16 anos depois, com Anna sendo uma mulher mega inteligente e mega bonita, ela ainda se sente como aquela garota do colégio de quem todos riram.

É terrível? É. Mas ela enterrou tudo aquilo e continuou a vida. Até que acontece o encontro do seu colégio e, convencida pelas amigas, ela acha que é a sua chance de esfregar na cara de todo mundo como ela está mudada e maravilhosa. Só que ela está TÃO mudada e TÃO maravilhosa que ninguém a reconhece. O que era pra ter sido um banho de autoestima acaba sendo um banho de agua fria. E encontrar James em uma das suas reuniões de trabalho não ajuda nenhum pouco.

Lá estava a nova Anna tentando seguir em frente e esquecer tudo, quando a Aurelianna e todo o seu passado resolve voltar e exigir que as coisas sejam encaradas. Quem iria vencer essa batalha? E o que fazer quando James, o garoto que a tinha humilhado, sequer se lembra de quem é ela?

O livro é surpreendente e eu me identifiquei bastante com Anna. Não no quesito a escola foi inferno, mas em todos os outros. Anna gosta de coisas estranhas – tipo história –, vive lendo aqueles romances duvidosos em quesito capa e enredo, tem encontros bastante desastrosos arrumados pela internet e é a pessoa que a família inteira quase implora para que arrume alguém e se case, além de ser considerada a “chata”. É minha descrição quase perfeita, o que fez com que fosse impossível não gostar dela. Fora que Anna, apesar de ser um pouco autodepreciativa – quis bater nela por isso –, sempre foi inteligente, sagaz e divertida. Coisas que eu aprecio muito em uma protagonista feminina. Ela é irônica e sarcástica e dá muito valor nas coisas que ela gosta.

Gostei MUITO dela. O que é bem raro.

amor a segunda vista

E então teve James. O cara que foi bem popular no colégio, mas com quem a vida não foi de todo benevolente. Talvez seja aquela coisa do carma e de pagar pelas coisas ruins que se faz. O fato é que ele acabou se casando com alguém mais bonito que ele e quem ele não conseguiu manter. O cara que sempre foi areia de mais pro caminhão das pessoas se tornou a pessoa com o caminhão pequenino. Não é engraçada a vida? Ele foi tão pisado pela vida (e pela mulher dele) que chegamos a ter dó. Você pensa no casamento dele e em seu trabalho e você tem certeza que a vida fez ele pagar por tudo.

A perspectiva antes e depois que o livro traz me fez pensar um pouco sobre a realidade da vida e perceber como o futuro é engraçado. No colégio muitas pessoas se exaltam por serem muito populares e outras de denigrem por não serem, mas quando o colégio passa e a “verdadeira” vida surge, é como se os papeis fossem invertidos. Muita gente fala que o nosso mundo é regido pela beleza e que quem a tem é quem se dá bem. Um pouco disso é verdade. Mas até que ponto isso se sustenta?

Uma vez tive uma conversa dessa com uma amiga e chegamos à conclusão de que o problema de quem é muito bonito é que eles se acostumam a ter tudo pela beleza e se contentam com isso. Só que bem… a beleza acaba. Pessoas envelhecem e poucas delas fazem isso muito bem. Então, quando as pessoas que eram bonitas começam a ficar feias e sem nada mais a oferecer, aquelas que eram tidas como feias começam a colher os frutos de todos os “investimentos intelectuais” feitos no passado. O que é bem reconfortante, diga-se de passagem. Dá aquela sensação de que as vezes a vida pode ser justa.

Porque vamos combinar. Ninguém consegue escolher se vai ser bonito ou feio, mas todo mundo consegue escolher se quer ser inteligente ou não. Beleza é sorte. Conhecimento é mérito.

Mas enfim, voltando ao ponto (mesmo sabendo que daqui a pouco vou sair dele de novo). O livro trabalha muito bem essa coisa do “o que vem depois da escola” e temos um vislumbre de como todas as pessoas ficam.

Outra coisa que o livro também trabalha é como as pessoas podem ser dependentes e ingênuas (para não se dizer idiotas mesmo). As vezes nós simplesmente paramos de conseguir nos ver como realmente somos. E MUITAS vezes isso reflete em nossos relacionamentos. Tanto amizades, quanto parceiros. As vezes mantemos pessoas por perto porque elas são mais “fáceis”, porque nunca dizem o que estamos fazendo errado ou nos criticam (construtivamente, claro). Outras vezes permanecemos com pessoas que sempre nos criticam (negativamente) e nos colocam para baixo porque acreditamos que ninguém vai conseguir nos olhar de forma boa, porque não merecemos aquilo.

Acho que o problema é que sempre nos vemos ou pior ou melhor do que realmente somos. Nunca vemos a realidade. O que é destrutivo e um pouco doentio, apesar de bastante humano.

James e Anna têm esse lado autodepreciativo e é interessante ver como juntos eles se tornam melhores. E eles crescem em cima de ironias, piadas e bastante álcool. O que é bastante legal. Principalmente como pé ante pé, eles são levados ao extremo. É como se rodeassem um assunto até finalmente ficarem cara a cara sem poder desviar. E o assunto que tanto rodeiam é quem eles realmente são. Não Anna, a garota gordinha e James, o cara que a destruiu, mas sim quem eles são agora, ainda que o passado faça parte disso.

Amor a segunda vista nos ensina que o passado não te determina e que você pode ser quem você quiser. Mostra que os seres humanos são maldosos e muitas vezes não medem a força de seus atos, como podem destruir ou construir vida e pessoas, como são capazes de qualquer coisa, seja bom ou ruim. Faz com que repensemos como as vezes somos impiedosos. Mostra como amizades e relacionamentos tanto podem lhe ajudar quanto levar para baixo, como irmãos podem ser maravilhosos e como alguns caras merecem nada mais que um soco na cara.

Gostei MUITO de Anna e James. Gostei também dos respectivos irmãos (mesmo não tendo de fato conhecido a irmã de James) e dos amigos de Anna. Quis bater em Eva e senti tanto ódio e repulsa por Laurence que Céus! Não sei o que faria se ficasse cara a cara com ele. Mas a pior parte de tudo é pensar que, de fato, existem homens como ele. Homens manipuladores e egoístas que aprenderam os “truques” bem o bastante para conquistar até mesmo as mulheres mais espertas com o único objetivo de levarem elas para cama e depois as dispensarem da forma mais terrível possível. Ou em outras palavras, um partidor de corações compulsivo. E são essas coisas que me fazem perguntar por que as pessoas não podem simplesmente serem sinceras ao invés de fingir sinceridade? Se é uma noite que a pessoa quer, a pessoa precisa aprender a dizer isso. Se é um relacionamento que ela quer, também precisa dizer isso. Acho que o problema das interações humanas é que desejos opostos sempre acabam juntos.

Mas tudo bem, essa resenha está se estendendo mais que o planejado. Talvez seja pelas quase 400 páginas e as tantas coisas que ela nos ensina.

Eu adorei a escrita da autora e a diagramação do livro (como já mencionado), só acho que uma nova revisão poderia ser feita, porque ficaram alguns errinhos de pontuação e tradução (nada escandaloso, apenas pequenos detalhes que minha pessoa chata sempre acha perdido por ai).

Mas a minha única crítica verdadeira ao livro é que NÃO TEVE PEGAÇÃO! O que uma garota nos dias de hoje precisa fazer para ler um bom livro que acabe em uma pegação cabulosa? Céus, esperei por isso durante 400 páginas e… NADA! Parece que a gente anda precisando escolher entre um bom romance e uma boa pegação. Será que não dá pra ter as duas coisas em um mesmo livro meu Pai amado? ~Aceitando sugestões~

Enfim, leiam o livro. Não vão se arrepender. E não esperem pegação.

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