Maniaca por Livros, Resenhas

[Resenha] Calafrio – Maggie Stiefvater

Sabe quando você odeia uma pessoa simplesmente porque ela é maravilhosa? Pois então, eu odeio a Maggie porque ela é divina ao escrever. Algumas pessoas já tinham me falado de Os lobos de Mercy Falls, mas eu nunca tinha dado de fato importância, até que, andando pela Americanas eu encontrei o primeiro volume por pouco mais de $15. Comprei, obvio. Li, obvio. Por pouco menos de um dia, tudo o que eu fazia era respirar esse livro. Comia lendo, andava pela casa lendo, assisti a votação do impeachment lendo.

E, céus! Calafrio me conquistou. E agora, tudo o que eu quero é o próximo volume e todos os outros seguintes. Quero viver com toda a intensidade Os lobos de Mercy Falls e quero me perder mais um pouco na escrita dessa mulher diva que, assim como minha escritora favorita, também se chama Maggie.

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Muito bem. Por muito tempo nossa paixão foram os vampiros e foi através deles que conhecemos os lobisomens, mas nunca tivemos lobisomens sozinhos para chamar de nossos. Pelo menos não até agora.

Nesse livro conhecemos Grace Brisbane, 17 anos, uma garota com quem eu me identifiquei muito e com quem quero me parecer quando crescer. Grace mora bem perto da floresta e quando era pequena foi arrastada de seu balanço por lobos que quase a mataram. Enquanto era atacada, Grace não gritou e não tentou fugir, ela apenas aceitou. Até que alguém a salvou de todo aquele tormento. Ou melhor, até que outro lobo a salvou.

Ela lembrava dos olhos estranhamente dourados do seu lobo e continuou a observá-lo todos os invernos, no limiar da floresta. Sempre perto, mas distantes.

Tudo indicava uma rotina que poderia se seguir por toda uma vida, até que ela sai do controle quando um garoto é morto pelos lobos e a cidade decide que, por bem, é melhor matá-los. Grace não pode aceitar isso, não pode pensar no seu lobo, aquele que ela observara por anos, sendo morto.

E, de fato, Sam quase morre. Teria morrido se, por uma razão desconhecida, ele não tivesse conseguido se transformar em humano e procurado ajuda de Grace. E é a partir desse momento que o livro cria um aspecto totalmente diferente.

A autora conseguiu colocar um romance doce e bobinho (no melhor aspecto) dentro de um contexto pesado e até mesmo, algumas vezes, macabro. Aqui, os lobisomens não se transformam com a lua cheia. Aqui é o inverno que leva a humanidade embora e algumas vezes isso pode ser para sempre. Ser lobisomem não é divertido, nem lhe dá super poderes, muito pelo contrário. Se transformar em lobo pode tirar de você tudo o que você é. E essa possibilidade, pairando sempre em nossas cabeças, é de matar.

Nós nos apaixonamos por Grace e sua maturidade fenomenal. Ela é o tipo de protagonista que não cansa, que não é cheia de mimimi e que não faz coisas irresponsáveis e desnecessárias. Ela é concisa, razoável, inteligente e forte. Grace é tudo que precisa ser e um pouco mais. Nenhum conflito do livro é causado pelos conflitos psicológicos da personagem ao estilo, “quero ou não quero?”, o que faz o livro parecer extremamente adulto, mesmo se tratando de adolescentes de 17 e 18 anos.

Nossa, acho que eu poderia escrever outro livro apenas falando como achei Grace maravilhosa. Responsável e ao mesmo tempo divertida. Sofrida, mas sem nunca abaixar a cabeça ou fazer um drama sobre isso. Ela tem suas dores e suas dores são bem reais, mas ao invés de sempre discuti-las, Grace simplesmente encontra um lugar para elas dentro de si e segue em frente. Lida com elas.

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E também temos Sam, um garoto lobo com um passado tão horrível que chega a doer. Quando eu imagino o que os pais dele fizeram com ele, eu me arrepio e penso em até que ponto a crueldade e loucura humana podem chegar. Sam é melancólico e extremamente sensível. Se formos fazer uma análise dos nossos protagonistas em ralação a maioria dos livros em mercado, podemos dizer que Sam era a mulher da relação e Grace o homem. E eu achei isso maravilhoso, principalmente por me sentir identificada.

Mas enfim, Sam é lindo. E quando eu digo lindo, digo que ele é lindo por dentro mesmo, em sua personalidade. A autora foi diva até nesse aspecto. Pouca coisa foi dita a respeito da aparência de Sam além de seus olhos e pouco estereótipo foi feito em cima dele, mas mesmo assim nós nos apaixonamos por ele. E com muito mais intensidade do que seria se ficássemos horas discutindo a sua beleza exterior. Porque Sam é um garoto que perdeu tudo antes e que pode perder tudo de novo, que dá atenção aos mínimos detalhes, que é leal e que acima de tudo tenta não ser um monstro.

Eu sei que não falei muito do livro em si até agora e acho que não vou conseguir falar, porque, apesar da trama ser maravilhosa, ela se perde na imensidão que são seus personagens. Perfeitos e bem construídos. Se perde ainda em tudo que o livro nos ensina enquanto nos conta sua história.

Com Calafrio aprendemos que algumas brigas, por mais grandiosas que sejam, no fundo são insignificantes. Aprendemos que estranhos são só amigos que ainda não conhecemos, que as pessoas mais improváveis podem ser grandes amigos se lhes dermos uma chance. Que famílias podem ser maravilhosas, mas também horripilantes. Que sua família são aqueles que estão ao seu lado e nem sempre aqueles que compartilham o seu sangue. Que algumas vezes, simplesmente não nascemos para determinada vida.

E, principalmente, nós aprendemos que o amor é a coisa mais poderosa que existe.

Eu amei Calafrio mais do que eu esperava amar. Descobri que ele realmente era tudo aquilo que dizia. Quero comprar os próximos e quero comprar qualquer coisa que Maggie escreva em suas palavras fruídas e maravilhosas. Eu e Calafrio fomos amor à primeira vista e, como diz Maggie, “O mundo precisa de mais amor à primeira vista”.

Comprem e leiam. <3

Beijos!

Laury

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