Maniaca por Livros, Resenhas

[Resenha] Como eu era antes de você – Jojo Moyes

Existem coisas na vida para as quais nós não estamos preparados e uma delas é esse livro. Tudo bem que preciso admitir parte da minha culpa nisso, porque eu concordei em ler o livro mesmo sabendo que várias pessoas que eu conheço leram e se acabaram de chorar. Mas, em minha defesa, preciso dizer que algumas pessoas choram mesmo quando não há necessidade para tal. Além do mais, sou do tipo de pessoa que só acredita vendo. Resultado, eu precisei ver e chorar como se não houvesse amanhã.

Muito bem. Esse livro inescrupuloso conta a história de Louisa Clark, uma garota interiorana de vinte e seis anos que mora com os pais e não tem qualquer tipo de ambição na vida. Ela está muito bem com seu namorado que não lhe dá atenção e seu trabalho em um café, até que tal café fecha e ela precisa arrumar outro emprego, afinal, sua família depende e muito da sua renda.

Depois de tentar muitos empregos nada agradáveis, Lou decide tentar a vaga de cuidadora, que tem duração de seis meses e paga melhor que todos os outros empregos disponíveis. E é nesse momento que conhecemos (ou revemos) Will Traynor, um homem de trinta e cinco anos que foi atropelado e acabou condenado a uma cadeira de rodas para toda a sua vida. Will era o tipo de cara que aproveitava a vida ao extremo e sempre, cada segundo, e acabar em uma cadeira de rodas, podendo mover apenas a cabeça e parte do braço, faz com que ele tenha perdido a vontade de viver e o bom humor. E céus, quando conhecemos o Will, ele é irritante!

Mas então nós realmente o conhecemos. Lou começa a trabalhar movida exclusivamente pelo dinheiro e tem sérias dificuldade para lidar com o mal humor de Will. Só que, como eu sempre digo, o convívio pode fazer coisas milagrosas. E é com o convívio que Lou se afeiçoa a Will e ele a ela. E assim temos uma linda história de amor… Só que não! Olha só, se você pretende ler esse livro, preste BEM atenção nas minhas palavras: não espere os romances doces e fofos que assistimos todos os dias. Não espere morrer de felicidade e terminar o livro contemplada, porque isso não vai acontecer. Na melhor das hipóteses você vai terminar o livro chorando. Na hipótese mais realista, você terminará o livro destruída. Assim como eu.

Pronto. Estenderam? Passada essa fase importante, continuemos.

O livro é narrado (na maior parte) pela visão da Lou e nós somos apresentados a vida dela, a vida das pessoas que estão a sua volta e principalmente a vida de Will, o que ela vai descobrindo ser a vida dele. Lou descobre que Will é uma pessoa extremamente inteligente e culta, o tipo de pessoa que quer sempre ver as pessoas bem e melhores, sendo tudo aquilo que elas podem ser. Will o tempo todo faz com que Lou experimente coisas novas, queiras coisas melhores, abra sua mente. É como se, de certa forma, Will quisesse que Lou vivesse tudo que ele viveu e tudo que não poderia viver pela sua condição.

E é isso, junto com a personalidade única dos dois, com a interação peculiar, com as piadas e as críticas que faz com que nós nos apaixonemos por eles. Nós passamos a amá-los tanto que chega a ser desesperador. Em determinado momento tudo que você quer é estar dentro daqueles romances felizes onde tudo dá certo e o Will se cura e ele e Lou ficam juntos. Mas então nós nos lembramos que estamos em um livro nos moldes de Um dia, um livro onde a realidade é mais importante que o final feliz.

A pegada de realidade nos mostra como todos nós e todos os lugares são despreparados para lidar com pessoas que tenham qualquer tipo de deficiência. Como o mundo não está preparado para lidar com o diferente e como isso pode ser horrível e cruel. Jojo nos faz olhar aspectos da vida e do dia-a-dia que nunca nos damos conta. E como escritora, eu a admiro muitíssimo por todas as pesquisas no ramo que ela fez, todas as coisas que ela foi capaz de mostrar com suas palavras.

Jojo nos mostrou ainda o sofrimento de uma doença. A dor de quem está doente e a dor de quem ama essa pessoa. Não há nada pior que olhar alguém que ama e ver nele a falta de vontade de viver. Ver que aquela pessoa desistiu e que não há absolutamente nada que você possa fazer para mudar sua opinião. É terrível. E, talvez por conhecer esse sentimento, esse livro tenha me destruído tanto. Ela foi magistral em apresentar cada um dos sentimentos das pessoas que cercavam Will, cada forma de lidar com a doença e a dor. Jojo fez absolutamente tudo certo. E, mesmo tendo sido tão cruel, ela foi verdadeira.

Como eu era antes de você é um livro impecável em todos os aspectos possíveis. Nos personagens, no cenário, no roteiro, nos detalhes meticulosamente pesquisados, na construção da nossa dor e no derramar das nossas lágrimas. Ela teve a delicadeza de nos apunhalar lentamente sem que nós sequer percebêssemos até que fosse tarde demais.

Tem tantos aspectos dos personagens e da história que eu gostaria de comentar que fico com medo de que nenhum tempo e nenhuma quantidade de páginas seja suficiente, então, sem falar do Will, vou me limitar a falar de apenas mais uma coisa: Como eu era antes de você nos ensina que é preciso tomar as rédeas da própria vida. Às vezes crescemos com tantas ambições e de repente as perdemos no meio do caminho, nos deixamos levar pela rotina, pelo tempo, pelas pessoas e pelos pequenos empecilhos, até que por fim nos estagnamos em um lugar e em uma situação. E isso, é a pior coisa que podemos fazer por nós mesmos.

Pode ser fácil manter aquele relacionamento que não lhe acelera o coração mais. Pode ser confortável manter o emprego que não lhe peça mais. Pode ser estável viver sem se emocionar ou exaltar. Pode ser familiar se deixar ocultar na sombra de uma pessoa ou situação. Mas o quanto disso a faz feliz? O quanto disso fará você olhar para trás e dizer que valeu a pena, que você viveu sua vida plenamente? Ás vezes, arriscar é a única forma de se viver de verdade. Então, por favor, viva!

Espero que você leia esse livro. Espero realmente. Mas espero que, diferente de mim, você esteja preparado para ele. E espero que ele lhe ensine tanto quanto Will ensinou a Louisa. Recomendações mil.

E para dar aquele aperto no coração:

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Não é suficiente? Então vamos ver o trailer:

Eu morri. E vocês?

Beijos!

Laury

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