Maniaca por Livros, Resenhas

[Resenha] Aprendendo a seduzir – Patricia Cabot (Meg Cabot)

Eu já devo ter mencionado o fato de não saber lidar com a Meg Cabot, certo? Porque eu não sei lidar. Mal superei a lindeza de Pode beijar a noiva e caí nas profundezas calientes de Aprendendo a Seduzir. Estou profundamente apaixonada pelos livros de época dessa mulher. E como uma especialista de Meg Cabot, eu posso dizer que ela escrever como Patrícia bem diferente de como escreve como Meg, mas de toda forma, sem perder a majestade. Os títulos dos livros são tão óbvios e apropriados que me deixam chocada, isso sem falar na construção dos personagens e na criação do enredo pertinente a época. Ou seja, quero todos os livros para mim.

Bem, diferente de Pode beijar a noiva, Aprendendo a seduzir é um livro um pouco mais robusto, ou seja, cheio de reviravoltas, onde cada acontecimento era importante de uma forma. Nessa trama temos novamente uma mocinha um tanto quanto inocente, o que nos faz achar tudo muito divertido e realmente parar para pensar no quanto as mulheres daquela época sofriam com essa inocência. Porque veja bem, Caroline não sabia nem mesmo o que acontecia na noite de núpcias. Ou, nas palavras dela, ela não sabia fazer amor.

Agora imagine você, prestes a se casar, tendo acabado de ver seu noivo com alguém que sabia muito bem como era fazer amor e escutando da sua mãe que a culpa de tudo isso era sua? Eu ficaria furiosa e não nego que acabaria matando algum envolvido nessa confusão, mas Caroline faz diferente, ela se convence de que deve conquistar o seu noivo, ser a esposa e a amante. Só que para isso ela precisa aprender a fazer amor. E não há lá muitas pessoas que podem lhe dizer como fazer isso certo. Na verdade, talvez existam duas: o Príncipe de Gales e o Lothario (vulgo mulherengo) de Londres. Como o príncipe está meio que descartado, resta o Lothario, cujo homem, por coincidência, é noivo da mulher que estava “fazendo amor” com seu próprio noivo.

Confuso, não? Eu acho que eles poderiam muito bem trocar os casais e tudo ficaria bem. Só que claro, isso não poderia acontecer, porque nessa época as pessoas podiam ser processadas por quebra de compromisso, ou seja, por desfazer o noivado sem razão nenhuma. O Lothario queria terminar tudo, mas não podia fazê-lo sem provar que sua noiva o traia e Caroline não podia acabar com as coisas porque… bem, porque seu noivo tinha salvado seu irmão e sua família tinha uma dívida com ele.

Agora perceba que arranjo maravilhoso: Caroline podia provar a tração e o Lothario poderia ensiná-la com muita habilidade como fazer amor. Só que… só eu percebo o cheiro de confusão nisso tudo? Os dois são exatamente o que o outro nunca teve e todos sabemos que o ser humano ADORA uma novidade, da mesma forma que eu adoro um livro bem escrito e um romance bem desenvolvido.

Cabot foi impecável em mostrar os dilemas de Caroline e do Lothario (nunca vi uma terceira pessoa tão bem usada) e ainda mais surpreendente em descrever detalhes. Cara, ela atingiu outro nível de descrição de cenas quentes. Uma mistura maravilhosa entre o que eles estavam sentindo e o que eles estavam fazendo. Fora que a maioria das cenas foram feitas na “perspectiva” da Caroline, onde tudo era muito novo e nenhuma sensação era esquecida. Ela estava sentindo absolutamente tudo pela primeira vez e suas reações, além de tudo, eram engraçadas. A forma como ela ficava abismada com ela mesma, com o que fazia e o que sentia era extremamente divertida e crível. E dona Meg Patricia Cabot está de parabéns!

Eu simplesmente adorei o romance que surgiu no livro e todas as coisas totalmente reais (para a época) que evitavam que tudo desse certo. Mais uma vez tivemos a discussão da importância das classes, como o sangue era mais importante que o dinheiro e todo o resto. E foi bem inovador o fato do “clichê” ser ao contrário. Em Aprendendo a seduzir, o peixe fora d’agua não é a mocinha e sim o rapaz. Um cara que tem dinheiro, mas nenhum título de nobreza, porque sua fortuna foi construída a partir do próprio suor. Enquanto ela tem título E dinheiro. A única coisa que realmente falta na vida dela é amor, exatamente o que também falta na vida dele.

É um livro onde os dois conseguem suas coisas por mérito próprio, têm personalidades um tanto distintas e se completam perfeitamente. E Caroline, apesar de ser uma moça muito inocente, não está nem um pouco contente com essa pureza toda dela, o que faz com que ela seja uma pessoa de atitude. E faz também com que não tenha nada daquela coisa de “ai ele a ensinou a gostar de sexo”. Não, meus amigos, não mesmo. Isso definitivamente não foi algo que ele precisou ensiná-la. Caroline já tinha gosto pela coisa, só não tinha a oportunidade, já que seu noivo era bem desinteressante nesse aspecto.

Enfim, pelas minhas observações já deu pra perceber que o livro, apesar de ser um romance histórico, é um livro feminista, mesmo sem ter a intenção de ser (ou talvez tenha). E o melhor, o livro mostra os “dois lados” do feminismo. Porque de um lado temos Emily e seu movimento sufragista que é contra tudo que empregam para as mulheres da época e do outro temos Caroline, que apesar de também ser a favor do movimento da amiga e até ajuda-la pagando suas fianças, não acredita que ela tem que ser contra tudo aquilo. Um exemplo disso, Emily odeia espartilho e acha uma opressão, por isso não usa, já Caroline acha que a deixa mais bonita, por isso usa. Eu sei que são coisas bem superficiais, mas vocês entenderam a coisa toda.

Dessa vez eu gostei dos dois personagens principais, mesmo eles tendo seus acessos de burrice e preciso dizer que o Lothario é mais o meu número do que deveria ser. E, de fato, não condeno Caroline por sucumbir a ele tão facilmente, porque vamos combinar que o caro não facilita. Além de muito bom em certas coisas, ele é justo, leal, sabe manter sua palavra, tem seus acessos de caridade, é persistente, paciente e tem uma cicatriz maravilhosa na sobrancelha. Como não amar? <3

Bem, chega de divagar. O livro é muito bom e cheio de reviravoltas. E, quando cheguei ao epílogo, não quis que acabasse assim tão depressa. Um livro perfeito para amantes de romance, livros históricos, cenas muito bem escritas e claro, para os adoradores da Meg Patrícia diva Cabot. SUPER RECOMENDO! Que venham mais livros dela direito para a minha estante e o meu coração.

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *