Resenhas

[Resenha] Você para sempre – Sandi Lynn

Resenha 2

Muito bem, vamos começar essa resenha um tantinho complicada do segundo livro da trilogia Forever. Quem leu a primeira resenha sabe que eu gostei bastante do livro um e também comentei que estava curiosa para esse livro porque o outro tinha terminado bem redondinho e definitivo. Pois então, tendo tudo isso como base, Você para sempre foi, ao mesmo tempo, desnecessário e legal.

Você-para-Sempre

Quando abri o livro e li a primeira parte, eu entendi a proposta: a mesma coisa do primeiro, mas dessa vez na versão do Connor. Nesse momento, eu tive sentimentos controversos, que se seguiram no livro inteiro.

Veja bem, foi muito bom ver a contraposição de o que estava acontecendo na cabeça do Connor e como ele externava isso. Posso dizer que ele é péssimo externando o que sente. Péssimo. Mesmo quando ele está morrendo de amores por dentro, ele só consegue dizer idiotices. E fazer idiotices. Mas por outro lado, a coisa toda é meio desnecessária.

Eu gosto de saber o que se passa na cabeça de todos os personagens e quando o personagem é bipolar como o Connor é legal ter algumas partes com a visão dele da situação, mas não era necessário um livro INTEIRO para isso. Principalmente porque o Connor é cansativo. Enquanto a Elle nos deixa loucos porque ela NÃO CONSEGUE FAZER A COISA CERTA, Connor nos deixa meio entediados, porque ao mesmo tempo que ele sente saudades da Elle, ele não faz nada para mudar isso. Connor adia as coisas que devem ser feitas e isso só resulta em merda no final. Ele é péssimo para entender o que está acontecendo.

Outra coisa que me incomodou bastante foi a pouca construção do Connor. E ao mesmo tempo a “inocência” dele. Olha só, o cara cresceu já dentro da empresa da família, se formou em Harvard, teve um longo passado pessoal e um grande nível de envolvimento com mulheres, mas ás vezes é como se ele fosse um retardado mental.

Entendo ele ter ficado impressionado com a bondade de Elle e como mencionei na primeira resenha, o relacionamento deles FEZ SENTIDO, mas, céus, a forma como ele ficava repetindo “Aquele maldito sorriso” TODAS AS VEZES que a Elle sorria me deixava irritada. Dava vontade de virar pra ele e perguntar “Querido, nunca viu mulher sorrindo não?”.

Não quero ser machista (mesmo já sendo um pouquinho), mas acho que faltou um pouco de masculinidade no Connor. Ele pode e deve elogiar a Elle, ele pode e deve mimar ela, ele pode fazer o que quiser, mas o fato de Connor ter uma deusa interior no nipe da Ana de 50 Tons me fez querer matá-lo em certas partes. Assim como eu quis matá-lo sempre que ele achava que podia comprar tudo e todos com dinheiro. Connor não sabe pedir um favor, ele simplesmente lida com as coisas com dinheiro. “Opa, fulana entregou um envelope ali para mim, vou dar um envelope cheio de dinheiro para ela.”. Amor, para. Por favor, para. Aprende a dizer “por favor” e “obrigada”, isso basta na vida dos meros mortais.

Outra coisa que me incomodou (eu sei que andam sendo muitas) é que a autora meio que perdeu a sua criatividade na hora do sexo. Mesmo que no primeiro tenha sido um cadinho repetitivo, nesse segundo foi gritante. Olha só, não to pedindo uma posição diferente e alucinante a cada relação dos dois, porque não é isso que acontece na vida real, o que eu estou dizendo é: se você quer narrar detalhadamente as relações, detalhe diferente. Se você não consegue detalhar, só menciona que aconteceu. Pronto. Fim. Não precisa de “Nossa, Elle, como você está molhada!” e “Ah, Connor, é assim que você me deixa.” TODAS AS VEZES. De verdade, não precisa.

Outro ponto foi o tempo verbal da narração. Eu não sei o que a autora aprontou na mudança do primeiro para o segundo, mas a forma como ela escreveu o segundo me incomodou. Fez com que Connor parecesse superficial e a narrativa soasse corrida. E falando em história, senti que a autora quis preencher a vida de Connor como alguma coisa, no estilo “Olha só, ele é rico, mas também trabalha”, só que assim, ela não soube fazer isso.

Connor é CEO da empresa Black, disso nós sabemos. Ele tem MUITO dinheiro, disso nós também já sabemos. E juntando tudo isso nós sabemos que essa empresa tem que ser super hiper mega rentável e necessária. O que quer dizer que Connor tem que trabalhar MUITO. (Estão me acompanhando?) E acho que a autora quis (ao contrário de muitas outras no mercado) mostrar que ele trabalha mesmo. Só que a amada não conversou com nenhum CEO. Na minha humilde opinião, ela não conversou nem com um administrador meia boca, porque, céus, tudo o que o Black fez em quase UM ANO foi discutir a compra de uma empresa em Chicago.

Sério, foi superficial. No primeiro, isso foi um tópico desnecessário, porque era a Elle que narrava e tudo que ela sabia era o básico do básico. Ponto. O trabalho do Connor não era o foco. Mas o segundo livro é ELE QUE NARRA, nós vemos o dia a dia dele e mesmo assim terminamos sem saber com o que a empresa dele trabalha e o que a empresa de Chicago faz. Fica meio “coloquei isso aqui para ocupar página”. Gostei não.

Falemos agora sobre vilões. Não abordei esse ponto no primeiro por razões de: não existia vilão. Muita coisa dava errado entre eles e tudo, mas isso acontecia porque eles não sabiam se entender feito duas pessoas normais. Sob esse aspecto eles eram seus próprios vilões. E funcionou muito bem assim. Mas no segundo… Ai ai. A autora me veio com uma de colocar a Ashlyn de vilã. E olha só, não colou. A mulher não tem cacife para isso. Nem em um milhão de anos. A Elle e o Connor se auto sabotando é mais convincente. MUITO mais.

Tudo bem, acho que todos nós percebemos que foi um desfile de coisas negativas e eu fiquei muito chateada com isso, porque eu ADOREI o primeiro livro. Eu fechei ele super satisfeita e recomendando para Deus e o mundo. Ai me veio esse livro com o Connor sendo um banana querendo comprar todo mundo com dinheiro, sendo a lady da história com sua deusa interior e tudo mais. Eu não soube lidar com isso, porque esperava muito desse livro. Não esperava que eles extrapolassem o conto de fadas desse jeito, a ponto de ser enjoativo (e olha que eu AMO um conto de fadas). Não esperava que a autora ficasse dando tanta importância a grandeza das coisas, falando que tal coisa foi boa só porque gastaram horrores de dinheiro e 700 pessoas apareceram (mesmo que o Connor claramente não tenha amigos).

Em uma palavra: decepção.

O livro só não foi de todo perdido pelo que eu falei no início, de podermos ver a diferença entre o que se passa na cabeça do Connor e o que vemos nos olhos de Elle. O que é bacana para nós pensarmos na nossa própria vida, se aquilo que demonstramos ser é o que realmente somos. E também foi bacana no quesito que o livro não se limitou a contar as mesmas coisas do primeiro só que sob os olhos do Connor. Teve coisa nova e teve a gente entendendo o que ele estava fazendo enquanto a Elle morria de chorar de saudades dele. Também teve a transformação dele de “não quero me apaixonar” para “Meu Deus, como eu amo essa mulher.”, o que foi legal, mesmo que Connor tenha ido de 8 a 80 em poucas páginas.

Enfim, o que eu tiro de conclusão disso tudo? Eu concluo que a ideia inicial era um livro só que acabou fazendo sucesso e se transformando em uma trilogia, que também acabou fazendo sucesso e se transformou em bilhares de livros (porque sim, tem mais livro depois da trilogia, que são focados no restante da família). Ou seja, teria sido suficientemente bom e maravilhoso e divino se tudo tivesse parado no livro um.

Preciso nem dizer que eu sou uma sofredora e que apesar de ter ficado chateada com esse livro, eu vou ler o próximo. É, eu sou dessas. Mas veja bem, apesar de não ter gostado do segundo, eu amei o primeiro, então acho que a autora merece uma chance no terceiro. Daremos essa chance a ela.

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *