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[Resenha] Fragmentados – Neal Shusterman

Resenha 2

Olá, amigos leitores! Como vão?

Trago para vocês hoje a resenha de um livro completamente diferente do último que resenhei. Devo adiantar que é um livro que comecei a ler sem nenhuma expectativa e que fui muito bem surpreendida por ele. Estou falando do livro Fragmentados, do autor norte americano Neal Shusterman.

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A história de Fragmentados é uma distopia, bem diferente dessas que estamos acostumados a ler. O livro mostra os Estados Unidos pós Guerra de Heartland, em que o mundo passa a ver a vida de uma forma diferente, onde é possível que indivíduos considerados indesejados sejam descartados.

A fragmentação, uma espécie de aborto retroativo, consiste em um processo no qual esse indivíduo indesejado é eliminado e ao mesmo tempo mantido vivo. Todas, eu digo TODAS, as partes do corpo dessa pessoa, chamada fragmentária são usadas em transplantes. Todas mesmo.

A ordem de fragmentação de um indivíduo pode ser assinada pelo Estado, no caso de uma criança tutelada, ou pelos próprios pais, quando a pessoa atinge a chamada idade da razão, entre os 13 e 18 anos. Pode nos parecer estranho,  mas essa é uma prática muito comum e aceita por essa sociedade distópica.

O livro, narrado em terceira pessoa, mostra, principalmente, a saga de três fragmentários que fogem da imposição feita por esse sistema: Connor, que teve a ordem de fragmentação assinada pelos pais e que foge de casa antes que ela seja cumprida, ficando conhecido como o “Desertor de Akron” e Risa, uma pianista tutelada do Estado que deve ser fragmentada para “abrir espaço” na Casa Estatal onde vive.

Connor e Risa não querem ser fragmentados e fogem para evitar que isso aconteça. Diferentemente de Lev, o terceiro elemento, que é um dízimo, escolhido pelos pais desde que nascera para ser fragmentado, cumprindo o dever sagrado de dividir com a sua comunidade um décimo daquilo que possui. E Lev aceita e carrega o título de dízimo com orgulho, tanto que reluta a fugir quando seu destino cruza com o de Connor e Risa.

Uma das melhores coisas sobre Fragmentados é acompanhar o crescimento e o amadurecimento dos personagens ao longo da trama. Enquanto perseguidos pelos Juvis, confinados em esconderijos, alcançando grupos de sobreviventes e se aventurando pelas ferrovias dos Estados Unidos para ajudar um amigo, vemos a mudança que ocorre em cada um deles e o porque dela ocorrer.

A construção de cenas do livro também é bastante eficiente, tornando possível enxergar e se sentir dentro desse mundo fragmentário. Somos levados a encarar a fragilidade da vida e refletir sobre questões como aborto, transplantes de órgãos (esses que salvam vidas sem fragmentar pessoas vivas) e até a maioridade legal (a ordem de fragmentação pode ser anulada se o fragmentário atinge os 18 anos antes que ela seja cumprida).

Quanto a edição, só tenho a comentar que foi muito bem feita e bem cuidada. O livro é dividido em sete partes e cada uma delas traz algo que explica um pouco a Lei da Vida adotada pela sociedade da história. A capa é um pouco mais adulta, mas também muito bem feita. Mais um ponto bem feito pela Editora Novo Conceito.

A única ressalva que teria a fazer é que em alguns momentos a disposição de palavras nas frases deixaram alguns parágrafos confusos. Acredito que tenham sido problemas de tradução de expressões, já que a linguagem coloquial é bastante usada (principalmente pro personagem CyFy). Mas nada disso interfere na qualidade da edição e da escrita do livro.

Eu não conhecia nada do autor, Neal Shusterman, e Fragmentados foi um excelente começo. Shusterman é, além de um escritor premiado com mais de 30 títulos publicados para o público jovem e adulto, roteirista de televisão e cinema.

Para quem gosta de distopia e gostaria de ler algo mais maduro dentro desse gênero, não existe indicação melhor do que Fragmentados. Ele possui todos os atributos que um romance distópico deve possuir, além de ser belissimamente escrito. Recomendo fortemente e espero que gostem!

Até a próxima resenha! Beijos de Luz!

Bia

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