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[Resenha] Mentiras que confortam – Randy Susan Meyers

Resenha 2

Olá, seus lindos! Como vão?

Quem me conhece, sabe que eu sempre digo que a falta de amor próprio é o problema da humanidade e esse livro é uma grande prova disso.

mentiras que confortam

Mentiras que confortam conta a estória de três mulheres em dois períodos distintos. Tia, Juliette e Caroline. Todas elas ligadas por uma única criança: Savannah. Como? Bem, o marido de Juliette (Nathan) teve um caso com Tia, que ficou gravida dele e resolveu dar a criança para a adoção, sendo recebida por Caroline. E tudo seria super simples e corriqueiro se tudo terminasse ai, mas no meio disso tudo tem Tia que nunca esqueceu Nathan, Juliette que nunca soube da filha de seu marido e Caroline que não sabe lidar muito bem com essa coisa de ser mãe.

O livro se divide em duas partes. A primeira delas conta o início do relacionamento de Caroline e Peter, o fim do caso de Tia e Nathan por causa do surgimento da gravidez, e Nathan contando a mulher que teve um caso. Ou seja, a primeira parte é uma introdução para os cinco anos depois, quando Tia manda uma carta para Nathan com fotos da filha e Juliette a intercepta.

Bem, eu não achei o livro extraordinário, talvez porque ele tenha dado várias voltas para parar quase que no mesmo lugar do início. Na minha opinião, faltou um pouco de ousadia da autora. Algo como: “Vou dar um pouco de amor próprio as minhas personagens”. Porque se as três tivessem um pouquinho mais disso (ou quem sabe muito mais), muitas coisas poderiam ser evitadas.

Tia é uma mulher jovem, bonita e inteligente, mas por alguma razão, ela não acredita nisso. Ela acabou se apaixonando por um homem casado que apenas a via uma vez na semana e mesmo depois dele ter a dispensado assim que ficou gravida (não antes de a mandar fazer um aborto), ela ainda continuou o amando por anos. Ela deu sua filha para adoção para não ter que olhar para ela e pensar nele. Tia parou sua vida porque Nathan a abandonou e passou anos sonhando com o dia que ele voltaria para ela. Se contentou com empregos medíocres e com uma vida medíocre e com homens medíocres com os quais ela ia para a cama após perder a consciência com bebidas. Tia me deu raiva em grande parte de livro, isso quando não me dava pena ou asco.

Juliette é a mulher que tinha tudo para ser maravilhosa, mas nunca teve amor próprio o suficiente. Ela é dez (ou doze) anos mais velha que Tia, é uma mulher de dar inveja tanto na beleza, quanto na inteligência, tem sua própria empresa e é um amorzinho de pessoa. Só que Juliette era o tipo de pessoa que ao invés de amar o marido, ela o venerava. Ela se sentia culpada por trabalhar e não dedicar 100% da sua vida a família, se culpou pela traição do marido, se culpou por não conseguir perdoa-lo completamente (mesmo tendo continuado com ele), se culpou por não ser mais jovem, por estar envelhecendo… Juliette se culpa por tudo! Ela se inferioriza ao extremo. E o pior de tudo para mim: ela não pediu o divorcio quando descobriu a traição do marido.

E céus, não há nada que eu odeie mais que traição. Talvez a única coisa que eu repudie tanto quanto traição, seja aborto. E Nathan é culpado das duas coisas. Ele além de trair Juliette, ainda pediu para Tia abortar para esconder a burrada que tinha feito. E vale ressaltar aqui que Nathan apenas terminou o caso com Tia porque ela ficou grávida. Ou seja, ele nunca terminaria se isso não tivesse acontecido. E mesmo sabendo disso, mesmo que anos depois, Juliette o perdoa. E isso foi o cumulo pra mim. Todo o respeito que eu poderia ter por Juliette morreu nesse momento.

E enfim temos nossa terceira mulher: Caroline. Das três, ela é a que tem mais autoestima, mas não se engane achando que isso é muita coisa. Caroline é medica, faz pesquisas sobre câncer e é linda. Tinha tudo para ter uma ótima autoestima, mas ao invés disso, Caroline se acha sem graça e desajeitada, se esconde atrás de roupas puídas e às vezes considera seu marido meio louco por acha-la tão sexy. Eu senti muita vontade de bater em Caroline, mas ao final do livro ela acabou sendo a que eu mais gostei (ou menos odiei, não sei bem), porque mesmo não tendo muita confiança em si como mulher e mãe, ela ao menos confiava em si como médica.

Outro fator para eu ter escolhido Caroline entre as três foi o fato de ela crescer como pessoa no decorrer do livro. Carol muitas vezes tentava se manter forte, mesmo estando desmoronando e isso fazia com que escondesse muita coisa que sentia e acabasse destruindo tudo. No entanto, quando ela resolveu que iria resolver a sua vida, ela foi lá e resolveu, juntou coragem e fez, sem vacilar, sem se perder. Ela realmente foi forte. Ela cresceu, enquanto Juliette regrediu e Tia brincou de montanha russa para parar no mesmo lugar de antes, apenas um passinho a frente.

Eu gostei do livro, mas não achei ele surpreendente, nem nada assim. Se manteve no confortável em questão de estrutura e desfecho, além de se manter no tradicional em relação a enredo. Por se tratar de assuntos comuns como traição e mentiras de família, eu esperava algo mais dela, esperava que tentasse fugir do clichê. E mesmo que não fugisse do clichê, esperava que ela ao menos construísse personagens mais surpreendentes. Foi um livro um tanto quanto linear e sem reviravoltas, o desfecho veio bem calmo e esperado, sem qualquer tipo de suspense. Não é um livro ruim, longe disso, mas não é o tipo de livro que te faz pensar enquanto lê e terminar mudada. É só um livro ok para se ler e passar o tempo.

Dito isso, eu queria fazer só uma pequena observação sobre o conteúdo do livro: o amor é (e pode ser) importante, mas o respeito é mais.

Sinceramente, você pode dizer que ama a pessoa mais que qualquer coisa no mundo e realmente amá-la dessa forma, mas seu amor não significa nada se você não for capaz de respeitar essa pessoa. E desculpa, mas parece que a autora do livro não concorda com isso. Porque a forma como Juliette perdoa Nathan, a forma como fica “ah, mas eu sinto tanta falta dele”… Céus! Isso me irritou tanto! Me tirou do sério como a autora usou a desculpa do “eu amo ele e ele me ama” para justificar o perdão, como se amar resolvesse tudo. Mas não resolve! E isso me lembra uma crônica do livro Prometo Falar (do Pedro Chagas Freitas) no qual o homem diz amar a mulher, mas precisar de outras para se satisfazer. O que, de verdade, é patético!

Mas tudo bem, vou parar por aqui, porque se deixar, eu posso escrever um livro sobre como acho errado e desrespeitoso a traição.

Para compensar Nathan e sua incapacidade de ser homem de verdade, temos Bobby e Peter, que são simplesmente maravilhosos. Bobby é o homem que quer porque quer salvar Tia de si mesma, que a vê como a pessoa que pode ser e não a pessoa sem rumo que ela realmente é. Já Peter é o perfeito marido e pai, quem faz Carol acreditar nela mesma e acredita que a família é a coisa mais importante na vida. O Peter é tão maravilhoso que todas as vezes que Carol o renegava, eu queria mata-la. Ele entra na lista dos últimos livros que eu li onde o marido é um ser maravilhoso e a mulher tem a cabeça fora do lugar por fazer pouco caso do que tem e desprezar o amor que recebe.

Ou seja, o livro é legal, mas não é tudo isso. É bom para passar o tempo e se distrair, mas não para realmente mudar alguma coisa na sua vida.

 É isso, amados! Já leram? O que acharam?

Beijos!

Laury

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