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[Resenha] Neve na Primavera – Sarah Jio

Resenha 2

Olá! Como vão?

Esse livro pra mim foi uma surpresa. E um dos muitos com personagem principal jornalista que eu tenho lido nos últimos tempos.

neve na primavera

Neve na Primavera conta alternadamente a vida de Vera Ray e Claire Aldridge. Ambas ligadas por um fenômeno conhecido como Inverno das amoras pretas (que é quando neva no meio da primavera). O fenômeno aconteceu em Seattle em 1933 e agora, quando Claire é designada a falar sobre o fenômeno na sua coluna.

Agora, vamos tirar um minutinho para falar sobre Claire. Ela está casada há um tempinho bom e seu marido é da família fundadora do seu jornal e também trabalha lá. O casamento deles está para lá de gelado, é quase como um cubo de gelo, e desde o início sabemos que ocorreu um acidente com ela que mudou tudo. Por causa desse acidente, Claire entrou meio que em estado de depressão. Ela não corria mais (prática que antes era habitual) e não tinha tanta vontade de escrever.

Buscar sobre a neve em 1933 fez com que ela voltasse a sentir um pouco daquela faísca que a transformou em jornalista e foi dessa forma que ela descobriu Vera Ray, a mulher que perdera o filho em meio a neve.

Nesse momento você pensa que é um livro ok, mas com o passar das páginas nós ficamos cada vez mais surpresos com tudo. Enquanto Claire escreve sua matéria, ela vê sua vida desmoronar um pouquinho de cada vez. Seu marido que deveria ser seu porto seguro (principalmente depois do acidente) tem cada vez mais almoços e jantares e festas e encontros com a ex mulher; que por acaso trabalha no jornal e faz questão de esfregar isso na cara dela.

Claire se apega a única coisa que lhe resta: o trabalho. E uma investigação que era para ser apenas legal, falando sobre a neve fora de época, se torna uma coisa monumental, cheia de segredos, principalmente aquele cabulosos de família. Quanto mais ela cava, mais segredos encontra. Uma coisa que se liga a outra em um efeito dominó surpreendente. A parte investigativa do livro é maravilhosa. E olha que a leitura dele veio em um momento que eu estava muito descrente com livros.

Sabe quando você pega um livro atrás do outro e todos eles são ruins? Eu estava nessa maré até pegar Neve na primavera. E por estar nessa maré, eu prestei atenção em cada mínimo detalhe. No cenário de 1933: se os detalhes eram condizentes com época e personalidade, se a investigação fazia sentido… Prestei atenção em cada detalhe. E tudo se encaixou, com exceção de um bem pequeno (não tão pequeno assim) que saiu do lugar.

Eu como leitora (e escritora) sei que a parte mais difícil de escrever com duas perspectivas é se manter atento ao que um sabe e ao que outro sabe. Porque o leitor tem acesso a tudo, mas o personagem não. E foi nesse “limite de conhecimento” que ocorreu o único deslize da escrita. Mas é algo que se você não prestar atenção, nem mesmo percebe (eu vi porque sou daquelas chatas).

Enfim, o livro é muito instigante e nos mantem presos até o último segundo. Até a última página eu estava esperando algo mais acontecer. E isso é MUITO bom. Se manter ligada no livro é algo raro. Mas às vezes (sempre), o suspense cria expectativas e nós esperamos que ela seja suprida. E foi essa falta se “satisfação” que não me deixou colocar ele nos favoritos.

Vamos ver se você consegue me acompanhar nessa resenha contraditória.

O ano de 1933, Vera Ray, seu filho Daniel, o romance mais lindo do mundo, a família mais megera, a mãe mais protetora, a amiga mais leal, o cara mais cavalheiro… Isso tudo foi digno de um prêmio. A parte que se passa no passado merece 6 estrelas de um máximo de cinco, merece o coração de favorito e merece junto o meu coração. Eu amei tudo, do começo ao fim. Sorri e chorei. Suspirei e gritei. Foi digno. Foi lindo. Foi maravilhoso. Céus, foi perfeito!

Mas então tem o presente. Para mim, o tanto que Vera Ray foi maravilhosa, Claire deixou a desejar. Vera era o tipo de mulher independente, que apesar de “saber o seu lugar” (essa parte não me deixando muito satisfeita, mas ok), não se deixava subjugar por ele. Vera era pobre, muito pobre e acabou se apaixonando por um homem rico, mas em nenhum momento perdeu sua essência por isso e nem aceitou ser tratada como inferior, porque ela sabia que não era e ele também sabia. Vera foi a mulher que aceitou o desafio de criar um filho sozinha e que fez tudo por esse filho, que quando ele desapareceu foi atrás dele até o fim do mundo (literalmente). Vera era lutadora, era forte, era trabalhadora, era um exemplo de mulher.

E então tem Claire. Claire… A Claire. Bem, ela se deixa ser tratada como inferior pelo marido, aceita que ele mal fale com ela, aceita que ele passe mais tempo com a ex mulher do que com ela, aceita ele chama-la de dramática quando tudo que ela quer é discutir a relação dos dois, aceita as mentiras dele… Ela aceita absolutamente TUDO! Algumas pessoas podem dizer que isso é casamento, que para um relacionamento dar certo é preciso esforço, que nem sempre as coisas são fáceis e blablabla. E céus, eu sei disso. Mas as pessoas precisam aprender que para tudo existe um limite e que quando chega nesse limite, nós precisamos aprender a dizer adeus e recomeçar. Precisamos aprender a sempre buscar o melhor que podemos ter. Buscar nossa felicidade.

No entanto Claire aceita muito bem ter sido abandonada no momento que mais precisou de apoio. Mais do que isso, ela aceita ser culpada por algo que não teve culpa e algo que a fez sentir uma das maiores dores do mundo: a dor da perda. E sinceramente: que tipo de homem culpa a esposa pela perda de um filho? Para mim é o tipo de homem que não merece ter uma esposa. É o tipo de homem para quem eu nunca mais olharia. E era isso que Claire deveria ter feito ao invés de assumir a culpa que não tinha e aceitar que o marido corresse atrás da ex mulher.

Mas ela não se importa com tudo isso, nem mesmo com o fato de ser tratada como lixo pelo marido, ela simplesmente corre para os braços dele quando ele dá o menor sinal de querer ela de volta. É ridículo! De verdade, eu senti nojo disso. Raiva dela não se amar o suficiente, raiva de se sujeitar a isso, raiva dela simplesmente abandonar o recomeço que poderia ter porque o marido achou que já estava na hora de parar de bancar o idiota. Para mim, a vida pessoal de Claire destruiu a parte do presente no livro. Pisou em cima e sapateou.

Outra comparação inevitável é quanto ao final. Enquanto o final de 1933 foi de quebrar meu coração, me deixando chocada e elogiando a autora até todo o sempre, o final de atualmente foi meio “blé!”.

A autora criou uma super expectativa, me fez esperar uma reviravolta de ultima hora, tão chocante quanto a de 1933, e nos “finalmentes” ela fez apenas um finalzinho pouco temperado de conclusão. Um final ok e bem satisfatório para qualquer outro livro, mas aquém para esse em comparação com todas as páginas passadas. Não foi eletrizante, nem surpreendente. Foi só ok, e o desenrolar previsível do capítulo anterior que tinha nos deixado com aquela cara de “UAU!”. Ela foi boa, muito boa, mas podia ter sido excepcionalmente maravilhosa.

Recomendo de mais o livro, porque apesar das partes que me deixaram com muita raiva e me perguntando “WTF?”, Neve na Primavera é um livro muito bom, mas muito bom mesmo, que chegou bem perto de ser incrivelmente memorável. E além do mais, ele fez com que eu colocasse Sarah Jio na lista de autores confiáveis, daqueles que compro o próximo lançamento sem nem mesmo ler a sinopse, apenas por ter o nome dele na capa, tendo a certeza que será bom.

Bem, é isso. Já leram o livro? O que acharam?

Beijos!

Laury

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