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[Resenha] Primeiro e único – Emily Giffin

Resenha 2

Quando terminei o livro e involuntariamente olhei para a capa e para o título, a única coisa que consegui pensar foi que alguém escolheu muito mal o nome. E não, não foi culpa da tradução, o titulo original é realmente esse. E eu sinceramente não consegui encontrar nenhuma explicação para ele.

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Você lê “Primeiro e Único” e pensa em algo fofo e romântico e jovem, mas apesar de ter como plano de fundo principal o jogo de futebol americano universitário, o livro não tem nada disso. Bem, pelo menos não a parte “jovem” da coisa.

Nossa protagonista se chama Shea, tem 33 anos e é louca, apaixonada por futebol americano. E boa parte desse amor por futebol veio do treinador Clive Carr, pai da sua melhor amiga (Lucy) e quem basicamente a criou (já que seu pai voltou para a ex mulher e abandonou sua mãe). Shea estudou na Walker e continua trabalhando lá, porque não consegue dizer adeus para aquela fase da sua vida.

Mas eis que tudo muda quando a Sra. Carr morre. A cidade fica de luto, juntamente com a Walker, cada membro da universidade, cada jogador e cada pessoa que viveu próxima da mulher que era um exemplo para todos. E é no meio desse luto que Shea é instigada a dar uma olhada na sua vida. Em onde ela tinha chegado, o que estava fazendo e quem ela era. E… bem, ela não saiu muito do lugar desde que se formou. O que é frustrante para ela.

Trabalha na mesma universidade onde se formou, seu trabalho não é nada desafiador e continua com seu namorado porque assim é… confortável.

Bem, Shea foi uma personagem que eu não soube muito bem seu eu deveria gostar ou odiar. Ao mesmo tempo que ela era insegura, ela era confiante. E ao mesmo tempo que era sem sal, também era notável. Gostei do fato dela ser feminista e saber se impor nos ambientes predominantemente masculinos sem ter qualquer dúvida de que está fazendo o certo. Nesse ponto eu adorei ela. Mas quando a segurança pessoal, a se dar bem com a imagem que via no espelho… Nessa parte eu queria mata-la.

Ela se acha desajeitada, desproporcional e grande de mais. E é o tipo de garota que contesta com o cara quando ele diz que ela é bonita; daquelas que insiste que ele é areia de mais para o pobre caminhãozinho dela. Céus, nesses momentos eu quis esfolar a cara dela no asfalto! Desculpa, mas ninguém nunca é de mais para nós mesmos. Eu sou da concepção de que nós merecemos o melhor que podemos ter. Em qualquer aspecto da vida. Sempre! E pessoas não jogam elogios ao vento (a menos que estejam querendo alguma coisa), então, se alguém lhe elogia, apenas agradeça. Não conteste tentando mostrar o quanto você é uma garotinha inferior e insegura. POR FAVOR!

Mas tudo bem. Vamos tirar o foco disso um pouquinho.

Primeiro e único não é o melhor livro da minha lista de lidos, mas de forma alguma também é o pior. Talvez eu esperasse um pouco mais depois de ter escutado maravilhas da Emily Giffin. Mas ele é um chick-lit sem a pegada leve e divertida. Vulgo é o bom e velho romance. E eu demorei um pouco para lê-lo (talvez até de mais), porque a leitura dele não é tão fluida assim. Não chega a ser arrastada e monótona, você só não sente tanta facilidade assim em continuar adiante.

Apesar de tudo que acontece no livro, o que me fez continuar, o que realmente me manteve passando as páginas foi a curiosidade de saber o que aconteceria com a vida amorosa de Shea. Porque vou te contar, parece que para compensar o marasmo anterior, ela resolveu chacoalhar as coisas com gosto. Mas, na minha opinião, ela cometeu um erro um tanto quanto comum nos tempos atuais: ela se contentou com o ok.

E quando eu digo “ok”, não quero dizer que ela se contentou com alguém “ok”, porque o cara era bem mais que “ok”, era o tipo que metade das garotas quer para si. O grande problema é que ela não sentia absolutamente nada por ele. Ao menos nada memorável. Ela não o amava. Mas mesmo não o amando, ela continuou deixando as coisas rolarem e acontecerem. Mais do que coisas casuais, ela deixou o relacionamento se tornar sério. E isso me fez pensar em quantas pessoas não se contentam com um sentimento “ok” por medo de não encontrarem algo melhor ou serem solitárias.

Eu entendo que o ser humano é sociável (mesmo eu sendo um tanto quanto antissocial), mas eu sempre me lembro de algo que ouvi uma vez, que quando você tem o prazer de ser amada por completo, você não se contenta com algo menos que tudo. E muitas pessoas perdem essa chance por medo de arriscar o ok. Isso me deixa tão revoltada! Arrisque o ok, jogue tudo para o alto, vá atrás do que te faz feliz!

Shea vai atrás do que a faz feliz. E mesmo que seja um caminho cheio de tropeços e quedas monstruosas, eu fico feliz dela ter continuado. Muito feliz mesmo. E essa busca dela me deixou muito contente com o livro, assim como determinado “acontecimento”.

Eu não sei bem o que aconteceu com o mundo nos últimos anos, mas foi como se voltássemos atrás em todos os passos que demos para frente. Antes as mulheres queriam homens cavalheiros, legais, honestos, gentis, fieis… Essa coisa toda. E então várias mulheres passaram a sentir falta dos homens violentos (mesmo que na cabeça delas a violência não seja de fato violência) e esse pensamento social fez com que surgissem diversos livros no mesmo seguimento. Para mim, um livro morre no momento que segue esse rumo. E em Primeiro e Único foi como se o livro finalmente nascesse quando chegou nesse ponto.

O que é violência? O que é descontrole? Até onde é legal a raiva ir? O quanto o passado de alguém influencia no julgamento que as pessoas lhe dão?

Nesse livro não tem nada de “Ah, comigo vai ser diferente”, “Não, ele só está passando por uma fase ruim”, “Ele me ama, só está estressado com o trabalho.”. Não! Aqui nós temos a realidade. Nada de mocinha tentando mudar algo que não pode ser mudado sem que a pessoa realmente queira. Aqui (como deveria ser no resto do mundo) a agressão é errada e condenável. É o sinal de que é hora de dizer tchau.

E isso foi tão reconfortante. <3

O que menos gostei no livro foi Lucy. Ela me lembrou muito a Lissa (Academia de Vampiros) na sua forma de querer ser melhor e Shea aceitar isso como sua personalidade. E principalmente no seu egoísmo. Céus, Lucy e Lissa deveriam ser melhores amigas. Porque para Lucy está tudo ótimo, desde que as coisas saiam do seu jeito e ela fique feliz. Não importa o resto do mundo. Não importa mais nada. Eu não suportei a Lucy. Não mesmo.

Tudo bem, a coisa toda ficou meio grandinha. Então vamos terminar logo.

Gostei do livro (mesmo ele não sendo a minha melhor leitura dos últimos tempos) e gostei da forma como ele mostra o crescimento de Shea e sua tentativa de se encontrar na vida e nesse mundo. É um livro que fala de amor (por pessoas, por coisas, por jogos…) e que deixa bem claro que o amor é a coisa mais importante que podemos ter. Que ele nos molda e nos transforma. E que ele surge onde menos se espera, das formas mais alucinadas possíveis e não aceita um não como resposta.

Não está fazendo nada? Quer conhecer alguém com uma vida amorosa mais complicada que a sua? Quer aprender um pouco sobre futebol americano? Então leia esse livro e dê uns tropeços com a Shea.

Beijos!

Laury

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