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[Resenha] Vivian contra o Apocalipse – Katie Coyle

Resenha 2

Eu terminei o livro e ainda não sei muito bem o que pensar sobre ele. Não sei se sou conservadora ou o que, mas eu meio que gosto daquela coisa de início, meio e fim. Mais especificamente, eu gosto de coisas que terminam com um “UAU!”, que te deixe meio desnorteada quando você fecha o livro.

Não me sinto desnorteada agora, depois de fechar esse livro, mas me senti desnorteada durante toda a leitura. Isso deve significar alguma coisa, certo?

Bem, depois eu penso nisso, no momento, vamos falar um pouco sobre o livro.

vivian contra o apocalipse

Por alguma razão que desconheço, quando vi o livro, jurei que era algo com zumbis e coisas do tipo, mas não é. É o apocalipse, caramba! O fim do mundo! Aquele pregado na Bíblia e tudo mais, sabe? Pois então.

No livro, há três anos, um cara surgiu falando que o dia do Arrebatamento estava chegando, que os Crentes seriam salvos e que então, todos os outros seriam condenados. Bem animador, né? E bem louco também. É por isso que muita gente não acredita e vê esse homem como alguém surtado. Mas então o país (EUA) começa a ficar estranho. Furacões, terremotos, vírus… E boa parte daqueles que não acreditavam, começam a acreditar. Todos querem ser salvos. Os pais de Vivian também começam a acreditar. E ela, uma pessoa que nunca foi das mais religiosas, acaba que sendo um pouco renegada pelos pais e vários amigos que se converteram, o que faz com que ela encontre Harp. A garota louca e de atitudes questionáveis.

O Arrebatamento chega e os pais de Vivian são salvos, a deixando sozinha e sem saber muito bem o que fazer. Centenas de pessoas são arrebatadas e o caos toma conta de tudo. Afinal, existe algo mais poderoso que o medo?

E então tem início uma das escritas mais perspicazes que me recordo nos últimos tempos. Katie é genial. Céus, ela conseguiu algo único. É um livro YA, feito a partir da visão de três adolescentes e talvez por isso, ou por causa disso, tudo seja cru, direto e chocante. Não importa o que digam sobre a adolescência e o quanto ela está perdida e corrompida. Ela pode estar tudo isso, mas em certo ponto ela ainda é apenas inocente como a infância. Você ainda não é obrigado a lidar com muitas coisas e tudo se resume ao seu pequeno mundo particular. Você vive nele, faz e acontece nele. Ele é seu. E tudo vai dar certo. Nada irá acontecer com você, o mundo pode até ser cruel às vezes, mas nada pode te tocar, não é mesmo? Esse é o seu momento. A sua juventude.

Katie escreve sobre adolescentes que descobrem o quanto estavam errados a respeito de tudo isso. É como se nesse livro ela tirasse o véu dos olhos deles e consequentemente do nosso. Vemos como a vida é frágil e como as pessoas são fracas. Vemos como o medo é paralisante e como nos leva a fazer loucuras. Vivian contra o apocalipse mostra o mundo se tornando conservador diante dos olhos de três adolescentes que nasceram em uma geração que aprendeu a ser tolerante. A nossa geração. Bem, ao menos a minha.

Eu cresci com a ideia que pessoas são pessoas e isso é tudo que importa. Pessoas devem amar umas as outras e podem amar quem desejarem. Pessoas podem ser o que quiserem, só precisam ser elas mesmas. É tão simples, não é? Eu acredito no que quiser e você acredita no que quiser; meu direito vai até onde começa o seu.

Mas já pensou se tudo isso mudasse? Já pensou se fossemos condenados em razão de quem escolhemos amar? Se fossemos condenados em razão da vida que escolhemos ter? Se fossemos condenados pelas roupas que vestimos? Se fossemos condenados pelo que falamos? Se fossemos condenados pela imagem que refletimos no espelho?

Idiota, não?

Mas esse é o nosso mundo agora, percebeu? A cada dia se torna mais conservador, mais intolerante, mais sexista, mais homofóbico, mais tanta coisa que não deveria ser. E esse é o mundo de Vivian contra o apocalipse. Um mundo controlado pela igreja, pela ideia do fim do mundo e pelo medo. Um mundo como a Idade Média, um mundo ao qual estamos próximos de nos tornar.

Muita coisa forte acontece nesse livro, mas uma das que mais me deixou… abalada, por assim dizer, foi quando um dos personagens foi executado por ser homossexual, porque ele “estava no caminho” da salvação de outras pessoas. Eu fiquei pensando “É isso que as pessoas pensam quando matam as outras fundamentadas em seu preconceito? Elas pensam que elas estão em seu caminho da salvação?”. O quão louco isso é? O quão louco estamos nos tornando? Porque são coisas assim que estampam nossos noticiários: crimes de ódio, crimes movidos pelo preconceito.

Não tive meu final da forma que gostaria (estou me acostumando com isso), mas o que eu sei é que Vivian contra o apocalipse não é um daqueles livros que é apenas um livro. É um daqueles livros que cada uma dessas pessoas loucas deveria ler. Elas deveriam ver pelo outro lado, olhar por outros olhos e perceber o quão insanas elas são. Porque esse livro nos mostra a loucura e o fanatismo. E não, ele não é contra religião. Céus, não! Ele é a favor de acreditar. Seja em Deus, em você mesma, na sua melhor amiga ou simplesmente no amanhã. Você pode e deve acreditar em alguma coisa, mas isso não pode torná-lo louco.

Além do mais, esse livro nos ensina sobre família. E fiquei tão emocionada nesse tipo de abordagem que não sei nem explicar. Porque faz parte da nossa cultura aceitar tudo com a explicação “é minha família”, mas o que realmente é família? Família é aquela pessoa que tem o seu sangue, mas não pensa duas vezes antes de lhe abandonar e aproveitar o que não aproveitou, ou família é aquela pessoa que está ao seu lado nos momentos difíceis, seja ela quem for?

Adorei Harp, adorei Peter e pela primeira vez em muito tempo, eu amei a protagonista. Eu amei a Vivian! A garota que sempre quis ser perfeita e fazer tudo certo, que de repente percebe que quer ser mais que aquilo, que quer ser a heroína da própria história, a garota que entende que as pessoas gostam de você quando você é perfeita e previsível, porque você não apresenta perigo, porque é dócil e submissa. Vivian é a garota que decide que quer viver, que quer ser forte, que quer ser tudo que sempre quis ser. E ela decide e faz, ela decide e se torna. Fiquei muito orgulhosa dela.

Super recomendo o livro!

E não posso terminar essa resenha sem deixar aqui o meu contentamento em relação a Agir. Porque mesmo depois de anos sofrendo com ela (sou apaixonada louca em Academia de Vampiros, ou seja, sofri muito), agora ela faz meu coração bater de novo. Ela me apresentou um livro bom em conteúdo, bom em capa e bom em diagramação. Eu fiquei apaixonada pelas páginas amareladas e sedosas, pelas letras no tamanho e espaçamento certo… Eu fiquei morta de amores até mesmo pelo cheiro do livro! E preciso dizer que depois de Vivian contra o apocalipse, talvez eu seja capaz de perdoar a Agir por tudo que sofri com Academia de Vampiros.

Ah, e o livro tem continuação (quase chorei quando descobri isso, mas ok).

O que acharam? Já leram?

Beijos!

Laury

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