Resenhas

[Resenha] Trash – Andy Mulligan

Resenha 2

Olá, pessoas! Como diria Joey Tribbiani, “How u doin’?”

Primeiramente, gostaria de pedir desculpas pelo sumiço nos últimos tempos. Correria de fim de semestre na faculdade e no trabalho, depois viagem, depois um cadinho de preguiça. Mas eu volteeeeeeei, volteei para ficar, porque aqui, aqui é meu lugar… (Roberto Carlos feelings. Mamys aprova).

Hoje eu trago para vocês a resenha de um livro que eu gostei de mais e que quando acabou já coloquei na lista das próximas releituras. Estou falando de Trash, do autor britânico Andy Mulligan.

Trashmenor

Cheguei a Trash por indicação de um amigo (que merece agradecimentos calorosos por todas as dicas literárias que tem me dado. Valeu, Carlos!). Ele me falou sobre um livro fantástico que tinha lido e lá fui eu, segui o seu conselho: comprei o livro e logo iniciei a leitura.

A trama narrada por Trash rodeia um problema universal, que vitimiza milhares de pessoas: a corrupção. Vemos como essa, digamos, faceta do ser humano prejudica aos mais pobres e vicia os mais poderosos, sempre sedentos por mais.

Grande parte da história se passa em Behala, chamada de “a cidade do Lixão”. Sim, a história se passa num lixão, onde centenas de famílias moram e tiram seu sustento e onde toneladas e toneladas de lixo são depositadas todos os dias. O livro não diz em qual país a trama se passa, nem mesmo diz o nome da cidade. Sabemos que é um país pobre, litorâneo, com ilhas ao sul de seu território e que fala espanhol.

Acompanhamos Raphael, Gardo e Jun-Jun (carinhosamente chamado de Rato) na maior aventura de suas vidas, aquela que as mudaria para sempre. Esses meninos do lixão, com nada além de suas vidas miseráveis e de muita esperteza, conseguem mudar o rumo da história, fazendo justiça pela morte de um homem inocente.

Tudo começa quando Raphael, procurando por algum material reciclável no lixão, encontra uma carteira. Nela existe uma boa quantia em dinheiro, algumas fotos de uma menina pequena, um documento em nome de José Angélico, um mapa da cidade e uma chave com etiqueta amarela e o número 101.

Não passaria de um achado incomum no monte de lixo, se um verdadeiro mar de policiais não tomasse o lixão de Behala no dia seguinte, procurando pela carteira. Os garotos não se entregam e, percebendo a corrupção da policia, preferem ir atrás da verdade. E a encontram.

Devo parar por aqui, antes que entre no temível mundo dos spoilers.

Trash é contado em primeira pessoa por várias das pessoas, todas elas participantes da saga dos meninos do lixão. Além dos três garotos, temos a visão do Padre Juilliard, da irmã Olívia e de outros personagens menores. Contamos também com cartas e recortes de jornais, dando um ar de veracidade ainda maior.

É nessa parte que devo comentar a genialidade da pessoa que projetou o livro. Não sei dizer se é uma característica que a editora Cosac Naify (meus parabéns por mais uma edição impecável!) imprimiu a edição brasileira, ou se todas as edições mundo a fora foram pensadas dessa forma.

Cada um dos capítulos é contado por um dos personagens. E cada personagem tem uma tipografia diferente. Não falo só de fonte, mas também de espaçamento entre linhas, parágrafos… tudo. Isso nos dá uma sensação incrível de, além de ouvir a voz de cada um, identificar cada personagem, como se o conhecêssemos. Estou apaixonada por essa edição, apenas!

O livro nos propõe várias reflexões importantes. Como o impacto da corrupção nas classes mais baixas, a própria corrupção, a necessidade da educação, a condição de vida das pessoas que não enxergamos e o porque não as enxergamos, além de quão pequenas são as nossas queixas se comparadas a um quadro maior.

Raphael, Gardo e Rato me ensinaram que aceitar a sua situação não significa se conformar com ela, e muito menos se privar de sonhar com uma vida melhor. Sonhar, trabalhar e lutar para conseguir são passos importantíssimos e fundamentais. É como se o nosso dever fosse querer e lutar por aquilo.

Lerei Trash novamente em breve e sei que continuarei aprendendo com ele, a cada vez que ler e “ouvir” a voz de Rato, Raphael e Gardo. E da pequena Pia!

Espero que tenham gostado dessa resenha e que se sintam motivados a ler esse livro incrível.

Até a próxima!

Beijos de Luz

Bia

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