Resenhas

[Resenha] Ligue os Pontos: Poemas de Amor e Big Bang – Gregorio Duvivier

Resenha

Hola, amigos! Como estão?

Parece que faz tanto tempo que fiz a última resenha aqui que já to com saudade de vocês! E hoje eu estou aqui pra falar sobre (e recomendar) o livro que foi, até agora, a minha maior surpresa literária do ano de 2015.

Estou falando de Ligue os Pontos: Poemas de Amor e Big Bang, do lindo (sim) Gregorio Duvivier.

Ligue os Pontos Poemas de Amor e Big Bang Gregorio Duvivier

As pessoas que me conhecem com certeza levantariam uma sobrancelha ao ver que o livro é esse. Nada contra o autor, nem nada disso. Mas por ser um gênero literário com o qual não tenho a menor intimidade: poesia.

Eu não diria que não gosto de poesia e nem que nunca tive vontade de escrever poemas. A grande questão é que nunca consegui me apaixonar de verdade por eles, ou de me interessar de verdade. Como se pra mim, como leitora e aspirante à escritora, a poesia não fizesse sentido, entendem? Minha teoria é que não sou sensível o suficiente para apreciá-la como se deve.

Admiro quem escreve poemas e consegue transformar versos em paixão. Admiro também quem entende e sabe usar métrica. Até por que, vamos combinar, é muito difícil. Inclusive, um dos meus textos preferidos da vida é o Soneto da Fidelidade, do meu querido e amado e idolatrado Vinícius de Moraes.

Mas, como diria a Laury: “Foco, Bia. Foco”. Voltemos ao livro do Gregorio.

Comprei esse livro pra dar de presente para alguém que gosta muito de poemas. Escolhi esse por curiosidade, já que, de tão acostumada a ver o Gregório, com graduação em Letras e ex de Clarice Falcão (para quem ele dedica o livro de uma forma muito linda) no canal Porta dos Fundos, queria saber do que mais o carioca era capaz.

E fui bem surpreendida. Comecei a ler antes de começar a escrever a minha dedicatória e só fui capaz de largar o livro quando ele chegou ao fim, deixando aquele gostinho de quero mais.

A poesia dele não tem nada do que nos acostumamos a ler, principalmente nas aulas de Literatura na escola. Os poemas de Gregorio não obedecem aquela ordem de rimas, nem tem linguagem absurdamente rebuscada e difícil. São divertidos na maioria das vezes e falam das besteiras mais cotidianas, como aquelas paixões súbitas que se tem entre as seções de um supermercado.

O livro é dividido em duas partes: Cartografia Afetiva, com poemas que nos mostram bairros do Rio de Janeiro, assim como ícones cariocas, e Aprender a Gostar Muito, com textos sobre música, amor e big bang. Eu diria que essa segunda parte foi inteiramente escrita para Clarice Falcão.

Para deixa-los com vontade de ler, compartilho o meu poema preferido do livro todo:

num dia ensolarado, eu disse,

você pode ouvir o big bang até

hoje, eu li num jornal, até hoje,

é um barulho ensurdecedor, eu

disse, mas como é, você disse,

como é que não estamos ouvindo

nada agora, você disse, mas nós

estamos ouvindo ele agora, eu

disse, só não estamos escutando,

porque sempre ouvimos, desde

pequenos, mas se ouvíssemos

agora pela primeira vez seria

ensurdecedor, eu disse, e você

de repente disse, e eu nunca

me esqueci, disse que talvez por

isso as pessoas não se entendam

direito, por causa do estrondo,

e nós voltamos a ouvir música,

e ninguém disse mais nada.

 (e eu pensei: talvez por isso

a música – para calar o estrondo)

Fiquei tão apaixonada por esses dois versos que devo tê-los copiado em todos os lugares possíveis.

Quanto à edição do livro, só posso dizer que foi muito bem cuidado e editado, mesmo tendo capa e páginas simples. Uma edição que vale a pena ter, como tantos títulos da Companhia das Letras.

Esse livro, e a sutileza da escrita de Gregorio, me fizeram ir atrás de outros títulos dele e de mais poesia. Talvez, com Ligue os Pontos, eu tenha me identificado – finalmente – com poesia. Recomendo fortemente esses versos sobre amor, Rio de Janeiro e Big Bang.

Espero que tenham gostado dessa resenha!

Até a próxima!

Beijos de luz ^^

Bia

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *