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[Filme] O Destino de Júpiter: O tempo, o consumismo, o amor e a vida.

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Olá! Como vão?

Hoje eu fui ao cinema ver um dos filmes da minha lista de desejados de 2015. Como eu tenho listas esse ano, não é? Mas acho que isso se deve ao fato de eu não querer perder nenhum segundo desse ano. Querer aproveitar tudo. E talvez nada melhor que esse filme para comentar isso.

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O Destino de Júpiter conta a estória de Júpiter (Sério? Não diga!), mas não é o planeta. Júpiter é uma pessoa. Filha de uma mulher que gostava muito de matemática e um homem que gostava muito de estrelas. Daí o nome bem não comum. Uma tragédia fez a mãe dela mudar a vida completamente, não para muito boa devo dizer, o que faz com que já na idade adulta, Júpiter trabalhe com a mãe, a tia e um monte de primos na limpeza de casas. Elas são as nossas diaristas aqui do Brasil e limpam umas três, quatro casas por dia. Ou seja, ela acorda quatro da manha e passa o dia trabalhando.

Sua frase preferida é: eu odeio a minha vida.

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E é odiando a sua vida que tudo vira de cabeça para baixo. De uma hora para outra ela é perseguida e quase morta meio milhão de vezes. Sério, muitas vezes mesmo! E ela só não morre por causa do nosso super protetor (e muito gato) Caine. E muita ação, quase morte e voltinhas pelo espaço depois, nós descobrimos que Júpiter é a reencarnação de uma mulher super importante da realeza (realeza dos ET´s, ok?).

Tudo bem, aí você me pergunta que importância isso tem. É bem simples, nessa realidade apresentada por eles, a raça humana é uma raça bem antiga e que não nasceu na Terra. Ela veio de outro planeta e foi cultivada aqui por outros humanos. Confuso, eu sei, mas preste atenção que você vai pegar tudo. Pois bem, esses “humanos originais” são muito mais inteligentes que nós no quesito tecnologia (na minha opinião eles só tiveram mais tempo para produzi-la que nós, mas ok) e conseguiram desenvolver uma espécie de elixir da vida ou fonte da juventude. Você está ficando velho, umas ruguinhas aqui e outras ali, então é só dar uma mergulhada na “fonte” deles e pronto.

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O problema disso tudo é bem simples: vida não surge do nada. Para que eles possam ficar sempre jovens, é preciso que pessoas morram. Mais especificamente, planetas. Sabe quando você compra um lote e tudo que é produzido nele será seu? É exatamente assim, só que nesse caso as pessoas compram planetas e todas as pessoas dele, se tornam suas também. Uma vida por outra e assim as coisas caminham.

Isso tudo entendido, vamos voltar para Júpiter. A mulher de quem Júpiter é reencarnação, tinha muitos planetas e três filhos. Ela foi assassinada e em seu testamento deixou a Terra para sua reencarnação, e caso ela não surgisse, o planeta seria de seu filho mais velho. Considerando que a Terra tem muita gente (o que para eles é muito dinheiro), não é surpresa que o filho queira matar a reencarnação da mãe. E é com base nisso que nossa estória se constrói.

Destino de J

Pronto, tudo explicado para ninguém boiar na coisa toda. Vamos comentar minha opinião. Eu gostei do filme. Ele me fez rir, me deixou angustiada em algumas partes, eu sorri e dei umas suspiradas (Caine sem camisa acabou comigo, queria deixar constado aqui). No entanto, achei que ele ficou um tanto grande de mais.

A trilha sonora foi instrumental, então sem grandes comentários. Trilha sonora instrumental é aquela feita para não se ver, ou seja, se você reparar nela, alguma coisa está bem errada. Eu não reparei, então palmas para o povo.

Mas o grande ponto do filme para mim foram as sacadas geniais. As sacadas que deram título a esse post.

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Distopias são criadas tendo em vista o futuro e há sempre aquela coisa, aquele ponto que fez tudo se tornar o que se tornou. Há sempre uma guerra ou uma crise. Terceira guerra mundial, a luta por petróleo e o mais atual de todos, a luta por recursos naturais. Mas nesse filme, não foi nada disso o causador da discórdia. O que fez todos lutarem e morrerem foi o tempo. E na fala de uma das personagens, “quando se tem o universo a seu dispor, tudo o que se busca é um pouco mais de tempo”.

Isso me fez pensar o quanto tudo isso não é verdade. Se pararmos para pensar, passamos boa parte da vida lutando por aquilo que não temos, seja dinheiro, sucesso ou qualquer outra coisa, aí chegamos na “maturidade”, algumas vezes conseguindo o que tanto queríamos, outras não. Mas o que sempre vemos as pessoas desejando no final não é mais dinheiro, é apenas tempo. Desejando ter aproveitado mais a vida.

E as pessoas doentes e a beira da morte parecem entender isso mais do que ninguém, porque elas também só desejam tempo e são capazes de tudo para consegui-lo. É nesses momentos que as pessoas param a busca pelo sucesso e vão em busca da felicidade, aquela que eles nunca tiveram tempo de procurar.

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Depois do tempo, o filme também nos mostra o consumismo. Toda a briga pela Terra tem em vista o quanto de tempo as pessoas aqui podem oferecer as pessoas lá. Mas é muita vida para apenas uma família, certo? Pois então, essa vida, esse tempo, é vendido por eles. E isso é como um vício, a eterna busca pela juventude e pelo tempo. Mas o mais impressionante era que as pessoas queriam comprar tempo, fariam qualquer coisas por mais tempo, mas eu simplesmente não as via aproveitando esse tempo. Assim em “O preço do amanhã”, as pessoas com mais tempo viviam apenas no luxo. Perdendo-se em cada vez mais riquezas, mas ao menos tempo nada memorável.

O prazer delas vinha de comprar e ficar para sempre jovens.

O quão isso não soa familiar? O quão ET´s nós não somos? Ou o quão humanos não são esses ET’s?

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Achei essas observações tão maravilhosas, que mesmo com alguns defeitos, o filme valeu à pena.

Além dessas observações, houve também o amor. Como eu amo romance! *-* Não tem jeito, me acabo mesmo. Tivemos um “cão” afastado de sua matilha que encontrou em outra pessoa a sua noção de “família”, que o fez quebrar sua armadura e se arriscar e mudar. E uma garota que além de ter sido criada para acreditar que o amor apenas trazia coisas ruins, também tinha essa confirmação todas as vezes que se apaixonava pelo cara errado, mas que por um momento teve a chance de ser guiada para o lado certo. Mesmo que o certo precisasse ser consertado antes de ser certo.

Beijo Destino Jupiter

E por ultimo, mas não menos importante, temos a vida. O título inicial trazia “morte” ao invés de vida, para eu poder comentar sobre as vidas tiradas, mas resolvi mudar. Mudei porque não eram apenas vidas tiradas, eram vidas tiradas para que novas vidas surgissem, ou até mesmo vidas tiradas sem propósito, mas que mudavam o curso da história. Isso é morte. Eu sei que é, mas isso no fundo também não é vida?

A morte faz parte da vida de cada um de nós. Alguém que conhecemos já morreu, perderemos alguém que amamos, algumas vezes mais de uma pessoa, tudo irá virar de cabeça para baixo e se contorcer e cada giro desse mudará o futuro. Cada curso mudado, cada vida que desejamos salvar, cada segundo que desperdiçamos e cada segundo que aproveitamos.

Tudo isso é a vida.

E é sobre tudo isso o Destino de Júpiter.

Muitas cenas de efeito especial. Muitas cenas de ação. Mais espécies do que se pode contar na mão. Tecnologia. Fantasia. Ficção cientifica. Distopia. Extraterrestres. Mas no fundo tão humana que poderia ter se passado bem aqui na Terra.

P.s.: Não sei dizer nada sobre Channing Tatum. Apenas sinto o quanto esse homem é maravilhoso (Até mesmo sendo meio cachorro. Mas como diz Júpiter, eu sempre amei um cachorro).

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P.s.2: Só para não deixar de fora, mas que eu estou com preguiça de comentar (feio, eu sei): “Você é o que é, não o que faz.”.

Bem, é isso. Já assistiram o filme? O que acharam? Pretendem ver?

Beijos!

Laury

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