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[Resenha Dupla] Mentirosos – E. Lockart

MENTIROSOSCadence vem de uma família rica, chefiada por um patriarca que possui uma ilha particular no Cabo Cod, onde a família toda passa o verão. Cadence, seus primos Johnny e Mirren e o amigo Gat (os quatro “Mentirosos”) são inseparáveis desde os oito anos. Durante o verão de seus quinze anos, porém, Cadence sofre um misterioso acidente. Ela passa os próximos dois anos em um período conturbado, com amnésia, fortes dores de cabeça e muitos analgésicos, tentando juntar as lembranças sobre o que aconteceu.

 

Olá, pessoal! Como vão?

Hoje eu e a Laury vamos fazer a nossa primeira resenha dupla, que eu espero que seja primeira de muitas.

Vamos ver o que cada uma pensou da estória?

Cecília

A família Sinclair, uma família tradicional e rica que tem de tudo, eles parecem ser perfeitos com suas lindas filhas, netos e netas com uma educação impecável. Eles se encontram nas férias de verão na ilha da família, então vemos que o “perfeito” não é tão perfeito. Vemos a pressão que cada personagem sofre por ter que ser um Sinclair. No decorrer da estória conhecemos a família Sinclair onde os sentimentos não são mostrados e sim escondidos, vemos isso na escrita da autora, como ela mostra as sensações que a personagem passa. A manipulação, poder, dinheiro, classe social, preconceito e suspense ronda a estória de Cadence.

Cady é uma adolescente de 18 anos que tenta descobrir o que aconteceu com ela no verão que passou com sua família. Cady tem crises emocionais muito fortes, dores de cabeça e no corpo todo, ela já não é mais a mesma menina de 15 anos, não, ela não é mais tão Sinclair. Sua aparência mudou, seus hábitos mudaram, ela sabe que aconteceu algo grave naquele verão, mas ninguém conta para ela, sejam os médicos ou a própria família. Conhecemos os “Mentirosos”, o grupo que Cadence e seus primos Johnny, Mirren e um amigo: Gat. Eles se intitularam assim no verão de seus 15 anos. Depois de um verão fora da ilha, a mãe e o avô de Cadence permitem que ela volte nas férias. Cady está determinada a saber o que aconteceu com ela no verão de 15 anos e vai atrás da verdade.

Cada um da família Sinclair tem suas farsas, mentiras e cada um quer o poder e dinheiro. A trama mostra todos os lados da família que em um sorriso, pode ter uma tristeza profunda. Sem perceber, nos envolvemos com a escrita e somo levados a querer descobrir o que aconteceu com personagem Cady.

Nossa tenho tantas sensações depois desse livro!

Bom tenho uma lista:

1- No começo é entediante, mas depois melhora.

O começo parece ser entediante mas não é, ele é envolvente de uma maneira incrível. Li em 3h30, devorei o livro e depois me acabei nele. Você quer saber, você precisa saber o que aconteceu com a Cady.

2- Nem tudo é o que parece.

Os acontecimentos vão mudando entre os tempos.

3-Dói.

Dói muito. Depois que você termina de ler, você pode chorar ou não, eu chorei.

Quando você descobre a verdade é como se fosse um baque, a escritora fez muito bem a lição de casa. Ela envolve os leitores, o suspense é incrível.

4-Pensar.

Depois que ler esse livro, você vai pensar, e pensar muito e principalmente no que uma família é capaz de fazer com as pessoas. Não só fazer, mas como o dinheiro e o poder tem força de conduzir a vida de uma pessoa.

Laury

Já vou começar dizendo que esse livro gerou discórdia. O Mentirosos já estava na minha lista de leitura desde que ganhei a versão de prova da Seguinte, mas ganhou prioridade quando a Ceci falou que tinha acabado de ler e gostado. Ou seja, ótima oportunidade para uma resenha dupla e um livro bom, certo? Mais ou menos.

Digamos que eu não gostei tanto assim desse livro.

Bem, é impossível começar essa resenha sem um palavrão, então: CARA***!

Começou tudo muito bem. Gostei das primeiras páginas, depois passei a odiar o livro e os personagens. Mas nada de mais. Anotei mil criticas para não esquecer (ainda bem que anotei, porque depois fiquei meio desnorteada) e a coisa foi ficando meio tensa, eu fiquei agoniada e desconfiada, até que… O QUE FOI ISSO?

Do nada fui atingida por um tiro no coração que eu não sabia de onde vinha. A escritora te mantém tão concentrada na família e nas criticas e no dinheiro que você não vê o quadro todo até ser tarde de mais. E preciso dizer que fiquei transtornada.

Sentimentos colocados no papel, vamos para os detalhes da coisa. Foram eles que não me deixaram gostar tanto assim do livro.

Vamos ao primeiro detalhe: Gat. Ele é sobrinho do novo namorado de uma das três filhas do nosso patriarca. Ele começa a passar os verões na ilha a partir do “Verão dos 8”, passando a ser parte do grupo de mentirosos, composto por ele, Cadence (nossa narradora) e os primos dela: Mirren e Johnny.

Vale dizer que a família Sinclair, da qual nossa protagonista faz parte, é bem tradicional e cheia de dinheiro (hello, eles tem uma ilha!), com um matriarca que quer manter a linhagem perfeita dos Sinclair. Loiros, pele clara e olhos claros. Porque ser um Sinclair é ser perfeito e educado e forte e perfeito novamente.

O Avô é de uma época que respeita tradições, de quando manter uma família era o mais importante. Com as três filhas divorciadas e não muito bem de vida (vulgo vivendo do dinheiro dele), ele quer que elas acordem, que trabalhem, que evoluam. Eu entendo isso. E entendo que a maneira dele fazer isso não era das mais ortodoxas, pois acabava jogando as irmas umas contra as outras, para ver quem ficava com o que na herança.

Essa era a forma do nosso patriarca lidar com o problema que vinham sendo as filhas e com o luto (sua mulher tinha morrido há pouco), mas Gat não entendia isso. Para Gat, o nosso patriarca e toda a família eram arrogantes. Para Gat, os Sinclair não mereciam o que tinham, eles desperdiçavam dinheiro e esbanjavam. Em suma, para ele, ter dinheiro faz de você uma péssima pessoa, porque as outras pessoas não tem o mesmo tanto que você.

Ok, os Sinclair passavam do limite as vezes, mas pequenas coisas eram transformadas em grandes pela boca de Gat. E me irritou bastante o discurso “populista” dele. Como ele se colocava como vitima por não ter o mesmo dinheiro que os Sinclair. O tempo todo ele insistia em como ele era diferente, em como nunca seria igual a Cadence, como os Sinclair tratavam ele mal… A coisa toda é: ninguém nunca tratou ele diferente, ninguém nunca disse que ele era diferente.

Cada palavra que ele dizia, para mim parecia uma tentativa alucinada dele ganhar atenção. Como se no fundo ele quisesse ser um Sinclair e não que reprovava quem eles eram.

Outra coisa que me irritou nele é o fato de que a Cadence sempre foi louca de amores por ele e ele ficava com aquela de “sou diferente, nunca seremos iguais”. Além disso, pelo amor que Cadence sentia por ele, ela acabava influenciada pelo que Gat dizia. E como se Cadence não fosse suficientemente depressiva por conta própria, ainda vinha Gat convencendo ela de que ser loira e rica era mais do que ruim, era um pecado, que ela deveria se sentir culpada de ter nascido assim. Tipo… OI? O.o

E por mais que Gat reclamasse, em momento algum eu vi ele dizendo: “Nossa, eu não tenho o tanto de dinheiro que gostaria, mas eu vou trabalhar e vou conseguir tudo o que eu quero para mim no futuro”. Em nenhum momento essa possibilidade parece cruzar a cabeça dele. E isso para mim é ser hipócrita.

Digo o mesmo para as filhas: Se você quer algo, lute por isso!

Acho que o primeiro detalhe leva a todos os outros. Principalmente ao final que me deixou conturbada.

Não vou contar o final, claro, mas na minha opinião, ele só aconteceu porque o Gat ficou enchendo a cabeça da Cady de coisas que não deveriam. Se ele não ficasse repetindo para ela como o dinheiro é mau e destrói as pessoas, como ser rico é ruim e afins, nada do que aconteceu teria acontecido. E para mim, não é o dinheiro que é ruim, as pessoas que tem ou querem ele que são.

Doar tudo que tem, não lhe transforma em uma boa pessoa e gostar de ter coisas para si e usufruir de um conforto que lutou para ter, não lhe torna uma pessoa má.

Bem, adorei a avó (nossa matriarca que é dada como morta bem no início) e também adorei a forma como a autora escreve. É uma narrativa fácil e ela tem uma característica muito bacana que vi pela primeira vez nos livros da Meg Cabot (diva mor). Ela separa as frases dos parágrafos para dar a elas mais intensidade e efeito. Simplesmente adorei.

Acho que deu para entender a discórdia, não é? A Ceci amou e eu só achei ok. E os pontos que ela mais gostou foram os que eu menos gostei. Mas é isso, o livro está sendo super bem falado e comentado e adorado. A Ceci gostou e eu nem tanto. E acho que a resenha dupla fez muito bem o seu papel de mostrar duas opiniões divergentes.

Espero que tenham gostado das resenhas e levem em consideração as duas opiniões na hora de decidir se esse é um livro para você ou não.

Já leu? Conta pra gente o que você achou.

Em breve teremos mais resenhas assim.

 

Beijos!!

 

Laury e Ceci.

2 Comments

  1. COMO ASSIM NÃO TRATAVAM O GAT MAL? O avô nem falava o nome dele! Pra deixar bem claro que ele não pertencia aquele lugar!
    Mas você tem um ponto: talvez se ele não tivesse falado tanto na cabeça da Cady, talvez não tivessem chegado naquele final.
    Fiquei embasbacada com o desfecho.

    Reply
    1. Laury Alves Author

      Não tratavam não. Ahh, não chamar pelo nome não quer dizer nada. Mais da metade das pessoas que eu conheço, eu não chamo pelo nome. É bem comum pessoas mais de idade chamarem os outros de “garoto”, “menino”… Coisas assim, Dona Miriam.
      Não teriam chegado mesmo!! Hahaha
      Eu acho que o desfecho foi a única coisa que fez eu não odiar o livro com todas as minhas forças kkkkkkk

      Reply

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