Resenhas

[Resenha] A garota das cicatrizes de fogo — Ricardo Ragazzo

A garota das cicatrizes de fogo

Juro por Deus que vou tentar se educada.

Terminei o livro e fui direto paras o skoob para “avisar” que tinha terminado de ler e me deparei com um “4.2”, o que não foi diferente de quando fui atrás de uma imagem de capa do livro e vi várias resenhas super positivas. Não sei se sou só eu, mas sou obrigada a discordar de tudo o que vi. E muito.

A garota das cicatrizes de fogo conta a história de Johnny Falco que teve a mulher assassinada e há quatro anos busca pela filha desaparecida. E em paralelo também conta a história de Lisa Gomez que quando criança teve seu corpo queimado por um desconhecido.

O livro veio parar nas minhas mãos através de BT, porque eu gostei da sinopse a achei que tinha uma premissa interessante, mas meu Deus, eu só terminei porque realmente tinha que passar para o próximo.

Não vou dizer que tudo começa bem, mas começa dentro do aceitável. Até que vamos tendo o desenrolar da estória. No primeiro momento já é possível sentir a semelhança óbvia com supernatural. O que não é ruim, levando em consideração que é uma das minhas séries favoritas. Mas o autor errou feio ao construir o personagem.

Quem assiste Supernatural sabe que o Dean tem o ar de “sou foda”, mas esse ar não é apenas porque ele diz isso, mas porque ele faz ser assim. O nosso personagem não. Johnny Falco é o típico machão que acha que a força bruta resolve tudo e que ele é “O” cara com seu carro “possante” antigo e sua calibre 42 “Narizinho”. Ele se acha e se acha em um ponto que para mim as vezes foi insuportável. Quis fechar o livro e não abrir mais.

Outro ponto que me matou foi a personagem Lisa. Ela é uma garota que passou anos em um hospital lutando contra queimaduras. Não sei se é só eu também, mas eu acho que uma pessoa que passa por uma experiência como essa se torna mais “profunda”, mais ligada a interior e menos ligada a aparência, uma vez que por fora ela se torna até certo ponto deformada. Mas não. Quando as cicatrizes magicamente desaparecem, ela sai do hospital sem olhar para trás, ignora o médico quando ele diz que sua melhora poderá salvar outras pessoas e quando retorna ao colégio se torna a típica “garota popular”.

Ela é uma “santa” sem as cicatrizes e as pessoas caem por ela e como se nunca tivesse sido atingida pela “falta de beleza” ela trata de forma inferior quem não segue aos padrões. Ou nos termos atuais, ela pratica bullying.

Por várias páginas a pergunta que ficou na minha mente foi: “Que tipo de pessoa chama a melhor amiga de Maria Tonelada e acha que ela vai pegar comida no lixo para comer só porque ela está acima do peso considerado ideal?”. Porque é exatamente isso que ela faz, e levando em consideração que todos os personagens são assim — até os que não existem razões para ser, como o Falco —, é o que o autor faz.

Todas as referencias são pejorativas quando alguém sai dos “padrões”. Aberração e Maria Tonelada é o que mais vemos no texto. O preconceito é tanto que às vezes me enjoava e revoltava. Em determinado momento cheguei a seguinte conclusão: para a Lisa tudo poderia ser perdoado desde que você fosse bonito.

Outro ponto que me matou foi a feminilidade da personagem. Já vi vários homens escrevendo sobre personagens femininas e na perspectiva delas e foram ótimos nisso, mas o Ricardo Ragazzo não me convenceu. A Lisa cheirava a testosterona! Suas ações não eram de uma menina com atitude, eram de um homem. Ou melhor, eram as atitudes que um homem às vezes espera que uma menina tenha.

Não achei a Lisa uma personagem tão bem construída e às vezes foi contraditória, para não dizer hipócrita. Porque no mesmo momento que tudo o que importa é a sua aparência e como ela está “perfeita”, ela se “apaixona” pelo garoto que deixou ser surrado até quase a morte.

Ah, outro ponto que não me convenceu foi o amor. Achei forçado de mais para se tornar profundo e a explicação final não me convenceu, além de ter um ar de “Os Imortais” e “Elixir”.

Quanto ao Johnny a mesma observação do inicio e a que fiz umas cinco vezes no meu papelzinho enquanto lia. Ele se acha O cara, O foda, O machão. E eu odeio caras assim. Se você quer ser O cara, se mostre ser O cara, não fique repetindo isso sem parar na esperança de que se torne realidade.

Quanto ao enredo, achei que deu uma forçadinha no final para tudo se encaixar.

Agora, depois de ter desabafado sobre o que não gostei, vamos passar para o que gostei?

Nas páginas finais — ultimas 30 — quase desisti de dizer tudo que disse antes, mas peguei meu papel de anotações, relembrei a raiva que senti no restante do livro e decidi que não estaria sendo honesta. Mas enfim, o final foi satisfatório. Foi viajado no tanto certo — apesar do ar de Romeu e Julieta — e por algumas páginas o nosso personagem deixou de se achar tanto e se tornou um pouco. A Lisa teve um ar macabro condizente com seu passado — apesar de sua decisão final não me agradar — e tudo pareceu menos forçado.

Mas meu aplauso de pé vai para as últimas duas páginas e seu ar de Dexter. O que tornou o final bom e me fez achar que apesar de toda a raiva que passei e todas as quase desistências, a última frase merecia um “Digno!”.

Sinceramente não sei se recomendo, se sou chata por ter tantas criticas a um livro que muitas pessoas falaram bem, mas sei que não prevejo um livro do autor nas minhas próximas leituras. No entanto muita gente o colocou como favorito.

Mas enfim, o que acharam? Já leram?

Beijos!

Laury.

 

7 Comments

  1. Nossa, mesmo não concordando eu AMEI sua resenha, achei muito sincera.
    Tbm achei forçada a atitude que o Johnny tinha e as vezes achava bem sem explicação. Mas nada que me incomodasse muito.
    Acho que a Lisa, por ter sofrido esse trauma, fez um caminho inverso do normal, que pode até ter ser justificado, se vc for bem mente fraca e tiver uma criação ruim hahahaha
    O final me tirou o fôlego, me deixou com nojinho. E tbm não tinha relacionado com Dexter (que eu amo). Fiquei assustada mesmo por ele ter escolhido esse caminho de “aqui se faz, aqui se paga”. Achei que valeu o livro todo 😛

    beijos
    Bia

    Reply
  2. Não tenho o costume de comentar em blogs e resenhas e acho que é a primeira vez que comento aqui, mas acho que precisava dizer.
    Eu li o outro livro dele, não sei se é o primeiro, “72 horas para morrer”. Também fui cativada pela sinopse, mas não gostei muito do livro. E foi o contrário da sua resenha, eu gostei bastante da história até pouco mais da metade, achei os personagens bem construídos e tinha um suspense muito bom, mas o final foi decepcionante pra mim por incluir fantasia e magia como que de uma hora para outra, já que isso não havia sido citado até aquele momento. Sei lá, me pareceu apenas um motivo pra acabar o livro, como se não fosse possível resolver o mistério sem a ajuda do sobrenatural…
    Até tinha vontade de tentar de novo e ler esse livro, mas depois dessa resenha, me desanimei.

    Bom, acho que meu comentário só deve ter reforçado sua opinião sobre o autor, né? Mas foi bom comentar com alguém.
    Obrigada!
    Ari

    Reply
    1. Laury A Author

      Me sinto lisonjeada por seu o primeiro blog no qual você comenta. 😀
      Ainda não li o 72 horas, mas não sei se vou ler também. :/ Ele tem mesmo essa de incrementar magia no meio da coisa, dizem que é um estilo de escrita, mas para mim parece muito “Supernatural” só que meio inferior.
      Essa de magia para resolver a coisa foi mais ou menos o que aconteceu nesse livro mesmo.

      Nada, é bom comentar com as pessoas e discutir os pontos de vista. 😀

      Beijos

      Reply
  3. Oliveira

    Não fique pensando que está equivocada quanto ao que viu no livro, cada um tem uma vivência nesse mundo e vê várias coisas de pontos diferentes, você analisa tudo com maior profundidade e isso não é ruim. O bom é: há pessoas como você e por isso o blog faz o efeito certo. Passa para as pessoas aquilo que é, e cada um vê onde se encaixa! Realmente pessoas que passam muito tempo em hospital ficam mais profundas, não ficam apegados tanto a algumas coisas mais fúteis. Sua resenha é ótima, seu ponto de vista também.

    Reply
  4. Juliana

    Acabei de ler e odiei o livro, queria que a sinopse tivesse sido mais clara, assim não teria comprado. O autor viajou de mais, a estória é muito rum.

    Reply

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *