Resenhas, Séries

[Resenha] Feios – Scott Westerfeld

Feios

 

            Achei impossível fazer uma resenha desse livro sem antes discutir um pouco sobre a sua ideologia, então se você não quer ler a minha pessoa filosofando, pode passar direto para a parte da resenha, nua e crua (achei ela meio sem graça, afinal já tinha gastado toda a minha filosofia antes, mas fiquem a vontade para escolher).

Quando estava na metade desse livro, busquei amparo nos blogs literários para conseguir continuar, afinal eu estava achando ele chato. Encontrei pessoas falando que ele era eletrizante e você não conseguia parar de ler, terminando desesperada pelo próximo, mas que era eletrizante de mais e você não entendia muita coisa. Li coisas que falavam que o livro era muito viajado e irreal de mais, e que o final foi super contraditório. Enfim, li muita coisa sobre esse livro e agora que terminei de ler, vou ter que discordar de todos.

“Feios” é diferente. Sim, o autor tem uma narrativa rápida, mas em momento algum isso me impediu de entender ou até mesmo de fechar o livro. E como fechei esse livro! Afinal, uma narrativa rápida não quer dizer uma narrativa empolgante. Tudo acontecia, mas ao mesmo tempo nada acontecia, entendem? Para mim o livro foi desandar lá pelas cento e tantas páginas.

Não sei se esse é um livro que você leia total e completamente por prazer, mas que vale a pena. Você lê o título bobinho, vê uma garotinha na capa e pensa que o livro vai ser assim, bobinho. Mas uma coisa que percebi nas estórias do Scott (ele tem um conto em Amores Infernais) é que nada pra ele é simplesmente bobinho. Você tem a escolha de ler seu livro na superfície ou realmente entender a essência dele. E sua essência é podre, mas bela. Vamos entender por que!

Como seria se o mundo se dividisse em Feios e Perfeitos? Todos são feios e aos 16 passam por uma cirurgia que os deixam Perfeitos, e vão refazendo a cirurgia com o passar dos anos para que envelheçam, sem envelhecer. Lábios carnudos, olhos grandes, nariz pequeno, altos, magros, Perfeitos. Ou não. A juventude dos Perfeitos se resume a festas e diversão o tempo todo.

Parece perfeito, não? Os Feios também pensam isso. Passam a sua vida inteira condicionados a idéia de que são literalmente feios, desprezíveis e só serão dignos de alguma coisa, qualquer coisa, quando se tornarem Perfeitos. O livro dá para fazer uma tese de faculdade ou algo do tipo, sem brincadeira. Como o governo condiciona as pessoas a pensarem iguais, agirem iguais e até que ponto a alienação pode chegar. Essa sociedade “perfeita” foi criada para substituir a nossa, que entrou em extinção, por assim dizer.

Scott aborda tudo, a razão de nossa decadência, as guerras, a destruição, a dependência, mostra a solução deles, o modo de vida que não degrada a natureza, onde não há o mínimo conflito, mas também escancara os defeitos deles, e tudo o que fazem para manter a “perfeição”, afinal “toda civilização tem sua fraqueza”. (Feios, pg 337) E talvez por abordar tudo isso, as vezes o livro se torna chato, como tenho certeza que essa resenha ficará para alguns. Mas o livro é bom, você só precisa começá-lo com vontade refletir.

Feios é uma das poucas distopias que me fez refletir de verdade, mais a fundo na coisa. E não, “Nossa, é verdade!”, e dois segundos depois já esqueci.

Resenha

Mas bem, Feios conta a história de Tally que é Feia e o maior sonho da sua vida é se tornar Perfeita e voltar a ficar ao lado de seu melhor amigo nas maravilhosas festas de Nova Perfeição. Mas tudo muda quando ela conhece Shay, que não está tão afim assim de fazer a sua operação para se tornar Perfeita.

No inicio você vê Tally e ela é a apatia em pessoa, de verdade. Ela não contesta nada, aceita tudo e espera que o governo decida por ela, condicionada ao que eles dizem, enquanto você vê Shay como a aventureira. Tally realmente é toda essa lerdeza, mas ela cresce e amadurece no decorrer do livro, e descobrimos que Shay também era lerda, só que influenciada por outras pessoa e não o governo, mas no final, todas crescem e isso é o que importa.

Para Tally ser Feia é o pior dos castigos e Perfeita a melhor das recompensas. Como o próprio livro diz, ela é mimada e vive em uma bolha, mas de um dia para o outro é obrigada a emergir para a realidade. Eu achei belo o mundo se revelando para ela e perdendo sua perfeição, a tornando uma badass de tirar o chapéu.

David é o nosso rapaz da vez e eu simplesmente amei esse mocinho. De verdade, talvez mais que muitos outros. Ele é selvagem, vive no mato, trabalha duro, mas é a delicadeza em pessoa, além de ser super inteligente, sendo um dos responsáveis por mostrar a Tally o mundo como realmente é.

Afinal, qual a graça de ser perfeito, se todos os perfeitos são iguais? Igualdade traz monotonia e não beleza, beleza está na diversidade, nos vários rostos e traços. Não acham?

Achei a idéia de Scott inovadora, o livro às vezes meio chato, mas quando era para ser eletrizante, era eletrizante e pronto, você quase morria, pulando falas para saber o que ia acontecer. Ao contrario do que li a respeito, achei o final uma conseqüência lógica, mas preocupante, incerta. Quero ler o próximo, mas não necessito de ler o próximo nesse exato momento, me entendem? E olha que já tenho o segundo livro em casa.

Bem, eu recomendo, mas comece o livro sabendo que não vai ser um livro totalmente leve. Ele vai te fazer refletir e nem todo mundo considera isso divertido.

Beijos!

Laury.

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