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[Resenha] Nos braços do guerreiro – Michelle Willingham

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Olá!! Como vão?

Voltando as sextas sagradas com resenha, não? Mas antes de mais nada, preciso deixar meu contentamento de ter arrumado uma ajudante linda!! *-* Irão conhece-la em breve, prometo. 🙂

*~*~*~*

Lindo, maravilhoso, perfeito. OK, talvez não seja isso tudo, mas foi essa a sensação que tive ao ler. Um doce só. É um romance histórico passado na Irlanda, que conta a estória de mulheres fortes e homens maravilhosos, ainda que tenham pessoas não tão maravilhosas assim.

Somos primeiro apresentados a um Guerreiro irlandês no meio da floresta. Trahern MacEgan está a caminho de sua tão esperada vingança, matar os assassinos de sua noiva. Tudo permanece dentro dos planos, até que encontra uma garotinha perdida no meio da mata, Jilleen. Nos primeiros momentos já temos uma queda enorme e gigantesca por Trahern e seus princípios.

Bem, é Jilleen que nos apresenta a mulher que mudará a estória. Morren é uma mulher com um passado marcado por atrocidades. Demora um bocado para ser dito explicitamente o que aconteceu com ela, mas desde o inicio já pode se presumir. Sua Vila foi invadida e ela brutalmente estuprada pelos invasores.

Quando Trahern a encontra, ela está quase morrendo e precisando urgentemente de uma curandeira, por isso ele cuida dela e toma uma medida perigosa, mas necessária, que é determinante para muitos acontecimentos futuros.

O livro para mim foi arrepiante. E Trahern me deu vontade de pular para dentro do livro a cada segundo, conseguiu entrar na lista de tops sem nenhum esforço. Ele é forte, é protetor, é honrado, mas em nenhum momento deixa de ser homem em todos os sentidos da palavra.

Mas Morren também não fica para trás. Ela é sofredora e algumas vezes dramática, mesmo que tenha motivos suficientes para todos os seus problemas, mas é também extremamente forte e determinada, com uma personalidade consistente e magnifica. Ela é admirável!

A família MacEgan é outro ponto forte. Construída nos seus mínimos detalhes e recheada tanto de mulheres fortes quanto de homens honrados. Não sei se a Irlanda da época era como representada, mas me deu vontade de conhecê-la.

Outra coisa que merece uma atenção (MUITA atenção kkk) é o “relacionamento” entre Morren e Trahern. Você fica o livro todo esperando um algo a mais e baba até mesmo nos detalhes mais inocentes, nos apertos de mão e nos beijinhos no rosto. O modo como ele protege ela, mesmo que as vezes a trate como uma filha e não como uma mulher… É lindo!! Simplesmente encantador e HOT!

Entra na minha lista de maravilhosos romances históricos. Recomendadíssimo!!

Para terminar a resenha, eu queria compartilhar com vocês um texto da Aline Valek. Como o estupro é um assunto tratado no livro todo, eu queria mostrar um texto dela que trabalha o estupro na nossa sociedade e no nosso mundo. Eu li e achei que merece ser repassado.

Quem me estuprou – Aline Valek

 

Hoje fui estuprada. Subiram em cima de mim, invadiram meu corpo e eu não pude fazer nada. Você não vai querer saber dos detalhes. Eu não quero lembrar dos detalhes. Ele parecia estar gostando e foi até o fim. Não precisou apontar uma arma para a minha cabeça. Eu já estava apavorada. Não precisou me esfolar ou esmurrar. A violência me atingiu por dentro.

 A calcinha, em frangalhos no chão, só não ficou mais arrasada do que eu. Depois que ele terminou e foi embora, fiquei alguns minutos com a cara no chão, tentando me lembrar do rosto do agressor. Eu não sei o seu nome, não sei o que faz da vida. Mas eu sei quem me estuprou.

 Quem me estuprou foi a pessoa que disse que quando uma mulher diz “não”, na verdade, está querendo dizer “sim”. Não porque esse sujeito, só por dizer isso, seja um estuprador em potencial. Não. Mas porque é esse tipo de pessoa que valida e reforça a ação do cara que abusou do meu corpo.

 Então, quem me estuprou também foi o cara que assoviou para mim na rua. Aquele, que mesmo não me conhecendo, achava que tinha o direito de invadir o meu espaço. Quem me estuprou foi quem achou que, se eu estava sozinha na rua, na balada ou em qualquer outro lugar do planeta, é porque eu estava à disposição.

 Quem me estuprou foram aqueles que passaram a acreditar que toda mulher, no fundo no fundo, alimenta a fantasia de ser estuprada. Foram aqueles que aprenderam com os filmes pornô que o sexo dá mais tesão quando é degradante pra mulher. Quando ela está claramente sofrendo e sendo humilhada. Quando é feito à força.

 Quem me estuprou foi o cara que disse que alguns estupradores merecem um abraço. Foi o comediante que fez graça com mulheres sendo assediadas no transporte público. Foi todo mundo que riu dessa piada. Foi todo mundo que defendeu o direito de fazer piadas sobre esse momento de puro horror.

 Quem me estuprou foram as propagandas que disseram que é ok uma mulher ser agarrada e ter a roupa arrancada sem o consentimento dela. Quem me estuprou foram as propagandas que repetidas vezes insinuaram que mulher é mercadoria. Que pode ser consumida e abusada. Que existe somente para satisfazer o apetite sexual do público-alvo.

 Quem me estuprou foi o padre que disse que, se isso aconteceu, foi porque eu consenti. Foi também o padre que disse que um estuprador até pode ser perdoado, mas uma mulher que aborta não. Quem me estuprou foi a igreja, que durante séculos se empenhou a me reduzir, a me submeter, a me calar.

 Quem me estuprou foram aquelas pessoas que, mesmo depois do ocorrido, insistem que a culpada sou eu. Que eu pedi para isso acontecer. Que eu estava querendo. Que minha roupa era curta demais. Que eu bebi demais. Que eu sou uma vadia.

 Ainda sou capaz de sentir o cheiro nauseante do meu agressor. Está por toda parte. E então eu percebo que, mesmo se esse cara não existisse, mesmo se ele nunca tivesse cruzado o meu caminho, eu não estaria a salvo de ter sido destroçada e de ter tido a vagina arrebentada. Porque não foi só aquele cara que me estuprou. Foi uma cultura inteira.

 Esse texto é fictício. Eu não fui estuprada hoje. Mas certamente outras mulheres foram.”

Espero que tenham gostado da resenha e claro, do texto. Todo mundo no seu breve momento de reflexão, ainda que de cinco minutos, ok? 🙂

Beijos!

Laury.

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