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[Entrevista] Cristina Aguiar

cristina2Olá!! Como vão?

Sim, eu estou atrasada! Perdão, era para a entrevista ter ido ao ar ontem, mas na minha lerdeza e bagunça de final de ano, eu acabei esquecendo. Então estou colocando hoje!

Bem, a dona Ana Cristina Aguiar é autora do livro A Profecia de Hedhen, que só conheci graças ao BT que participei. Infelizmente ainda não a conheço pessoalmente (CRY! :'( ), mas ainda pretendo conhecer. Posso contar a parte triste? Não tenho o livro dela (lê-se: estou muito afim de ganhar, quem quer me dar? kkkk).

Mas enfim, a Ana Cristina é extremamente fofa, me fez morrer de rir com sua apreensão pela resenha do livro e me aguentou durante horas e horas no facebook. Nossas conversas renderam horrores!! E como não podia faltar, também é mestre na hora de criar aqueles homens perfeitos e impossíveis, sabe? kkkk Ok, chega de falar, vamos deixar que ela se apresente para vocês. Espero que gostem!

– Primeiro o que me matou de curiosidade quando fechei o livro: é Ana ou Cristina? Passei um tempão conversando com você no facebook e só depois fui reparar. Kkkk

Quando fiz a minha conta do face, eles colocaram meu primeiro e último nome “Ana Aguiar”. Mas como a minha família me chama de Cristina, foi com esse nome que eu registrei o livro. O caso é que todo mundo no face se acostumou a me chamar de Ana Aguiar, rsrsrs. Mas o meu nome é Ana Cristina. Fim do mistério.

– Menina, vou lhe contar uma coisa, graças a você eu criei um mar de tanto que chorei! Que final foi aquele? Me explica! Você não sentiu pena da Deborah e da Jael nenhuma veizinha? kkk

Claro que sim! Meu coração se partia com o sofrimento delas, mas era algo que tinha que acontecer. Muitos momentos eu escrevi chorando, e acho que você deve saber de que momentos eu estou falando. A Profecia era um fardo pesado que elas carregavam, e por ela estavam dispostas a arriscar tudo. Mas o fato também era que eu queria mostrar a mulher como heroína, capaz de lutar e sofrer por algo em que acredita e inspirar outros a fazer o mesmo. A história pedia um final como aquele, não podia ser diferente.

– O único pesar que tive ao ler a Profecia de Hedhen foi não poder ler tudo de uma vez, direto. Por isso tenho imensa dificuldade de lembrar fatos específicos, eles parecem meio distantes, entende? Mas uma coisa que não pude esquecer: os casais. Livros de aventura raramente têm romance e quando tem são mais no final, mas no seu caso foi diferente. Quando menos se esperava lá estava um casal novo. Por que resolveu fazer isso? (Que diga-se de passagem eu adorei! Kkk)

Kkkkkkkk! Acho que o amor ameniza o sofrimento. Adoro os romances, mas sem muito apelo. Queria que fosse uma questão de sentimento mesmo. Um refrigério no meio de tanta dor. E é verdade, eu gosto de formar casais, até os mais improváveis. Acho que isso também torna a história mais leve, pois ficaria muito seca se isso não existisse.

– Já que estamos falando de amor, sou obrigada a repetir para você o que ando dizendo para as minhas queridas escritoras: PAREM DE CRIAR HOMENS PERFEITOS!! Kkkkkk Sério, vocês vão arruinar meus relacionamentos! Kkkk Mas se você me contar de onde tirou o Barak e o Héber eu te perdôo.

Pergunta difícil! Kkkkkkkkk! Acho que foi nos meus sonhos, mas não perco a esperança de que possam existir de fato. Eu queria que eles fossem heróis honrados, corajosos e dispostos a tudo ao lutar pelo que acreditam.

– A personalidade da Jael e da Deborah são completamente diferentes, mas mesmo assim as duas são perfeitas. De onde elas vieram? E por que personalidades tão distintas mesmo fazendo parte da mesma profecia?

Elas são gêmeas espirituais, duas faces de uma mesma moeda. A sabedoria, controle e equilíbrio que formam a personalidade de Deborah, contrastam com a impulsividade, praticidade e determinação de Jael. Uma completa a outra, por assim dizer. Mas com o tempo, Jael vai se tornando sábia também, mas é uma sabedoria adquirida pela experiência. Assim como Deborah também vai experimentar momentos de descontrole. No final, elas são tão diferentes quanto poderiam ser iguais. Acho que elas representam um pouco daquela luta entre razão (Deborah) e emoção (Jael), que existe em todos nós, homens e mulheres.

– Hedhen! Nominho complicado esse, não? Já tentei descobrir como fala, mas desisti. Rsrs De onde ele veio? Hedhen, os Luminares, a Profecia, tudo surgiu na sua mente em um belo dia de verão?

Na verdade, foi no meio de muito questionamento. Vamos começar com o nome. Hedhen, antes era uma terra perfeita, abençoada, e isso me lembra a idade de ouro que existe nos mitos de todas as civilizações, e como a Bíblia foi uma grande fonte de inspiração, o jardim do Éden representa essa idade de ouro. O nome Hedhen é uma forma enfeitada de Éden. A questão dos Luminares tem duas fontes de inspiração. Uma é bíblica, pois está lá no relato da criação, no quarto dia, como os luminares foram criados. A outra fonte é mais curiosa: quando eu era pequena, uma prima costumava me contar uma historinha de três irmãos, filhos do rei, que se perdem um do outro e têm que trilhar um caminho difícil; o rapaz tinha o sinal do sol na testa, as duas meninas tinham os sinais da lua e da estrela. Era através dos sinais que eles iriam se reconhecer. Nunca esqueci essa história e acabou servindo de inspiração para compor os Luminares. Agora, quanto a Profecia foi muito questionamento teológico envolvido. A Profecia é a ordem dada por um ser superior. Ela é justa, mas muitas vezes não parece ser assim. Obedecê-la em sua totalidade gera sofrimento e renúncia, embora a felicidade venha no final. A questão está em como interpretá-la, se de forma complicada ou simples, e se vale a pena ser fiel a ela. Acho que todos aqueles que seguem algo assim, todos que possuem uma “Profecia” regendo suas vidas, vão se identificar com isso, já que é o principal dilema das protagonistas. Até que ponto elas estão dispostas a ir?

– Você não criou uma estória no nosso mundo, você criou um mundo totalmente novo para contar sua estória. Por quê? Haja criatividade, não?

Eu não queria falar do nosso mundo real por uma razão simples. Eu queria falar da mulher numa posição que não existia em nosso mundo, acredito que em nenhuma época. Há especulações sobre um período matriarcal, mas não é nada comprovado. Então eu criei Hedhen. Um mundo onde homens e mulheres vivem de forma igualitária, com poucas exceções (no nosso mundo ocorre o contrário). Em Hedhen, uma mulher pode liderar um exército de homens, viajar sozinha a cavalo pela estrada, pedir um homem em casamento, ter altos cargos de autoridade, e não precisa explicar nenhum desses fatos, pois são naturais de seu mundo. Isso me deu liberdade para trabalhar a personalidade feminina como eu queria. A mulher líder, heroína e guerreira, e não a sedutora ou submissa.

– Deborah e Jael tem que passar por inúmeras provações e privações por causa da profecia, mas Deborah sem duvida sofre mais. O que você faria se fosse ela. Abriria mão de TUDO pela realização da Profecia?

Ainda bem que eu não sou ela, rsrsrs. Tenho certeza de que eu escolheria o lado da Profecia para lutar, mas não sei até onde iria a minha força. Eu tenho uma “Profecia” que rege a minha vida e sei como é difícil, pesado, mas também é prazeroso e bom. Para Deborah conseguir ir até o fim, ela foi dotada com atributos especiais desde o nascimento, e isso a forjou com um espírito forte para suportar tudo. Mas será que Jael conseguiria ir até o fim? A lealdade dela é proverbial, mas ela é mais suscetível às fraquezas humanas, assim como a maioria de nós. Em suma, fazer o que Deborah fez não é para todos.

– Você leu a resenha e sabe que fiquei com uma pulginha atrás da orelha por causa dos Deuses usados no livro. Depois que li o livro essa pulginha já tinha morrido e quando fui ler a contra capa tive mais certeza ainda da morte dela. Mas você não teve medo de dar uma discussão por causa disso?

Não vou negar isso. Sempre achei que era um ponto em que mais cedo ou mais tarde alguém tocaria. A deusa do livro não é uma divindade concreta, mas uma manipulação dos homens para manter o povo escravizado no medo. É contra esse sistema que os Luminares irão lutar, em nome do Pai-Criador. Agora, porque isso tem que gerar polêmica? Eu tenho uma base cristã e não nego isso, mas sempre li Marion Zimmer Bradley e a tenho como um referencial, mesmo que seus livros mostrem apenas o lado negro do cristianismo, com duras críticas. Isso nunca me abalou, pois eu entendia como um romance. A questão teológica vai aparecer de acordo com a visão de vida do escritor. Eu acredito em um Pai-Criador que pode ser Mãe na hora em que ele quer, porque o título Pai é algo que engloba ambos os gêneros (Pai-Mãe). É mais ou menos como num elevador entrar um grupo de quatro mulheres e um homem, aí você diz: “eles” entraram no elevador, e não “elas”. Eu só espero que as pessoas tenham em mente que é um romance, não um livro doutrinário. Eu amo a natureza também, mas para amá-la precisamos esquecer de quem a criou? A Profecia de Hedhen é um livro de fantasia que não segue a fórmula Idade Média-Mitologia Celta, que isso fique claro. Mas nem por isso deixa de ter todos os ingredientes de um bom livro de fantasia e aventura. Leiam sem preconceito, pois não estou fazendo ninguém escolher a religião certa aqui. Apenas tentem se colocar na pele de alguém que vive em Hedhen. De qual lado você ficaria?

– Aproveitando o momento discussão séria. Kkkk Por que mundo matriarcal versus mundo patriarcal?

Quando eu li O Senhor dos Anéis, que em minha opinião é o melhor livro de fantasia até agora, senti falta das mulheres quando se formou a Sociedade do Anel. Eu me perguntava: por que elas não foram lutar pelo que acreditavam? Por que as mulheres não eram colocadas também como guerreiras e heroínas nessas aventuras? Aí eu resolvi fazer o inverso. As mulheres no meu livro se destacam e homem nenhum se ressente disso. O matriarcado adotado aqui foi uma escolha para trabalhar livremente o papel da mulher sem precisar dar explicações. No mundo patriarcal, as mulheres são submissas aos desejos do pai, do irmão, do marido, da sociedade. Não caberia algo assim na minha história. No mundo matriarcal, elas não mandam, mas vivem de forma igualitária.

– Vamos dar adeus às coisas sérias. Vamos às inspirações. Kkkk Por que decidiu ser escritora? Em que momento você disse “É isso que quero da vida!”? Ou esse momento ainda não chegou? Rsrs

É isso que eu quero da vida, rsrsrs. A gente não decide ser escritora. Ou você é ou não é. Escrever começou pra mim como um hobby, um vício. Até o dia em que eu comecei a tentar trabalhar histórias mais longas. A Profecia de Hedhen foi um ponto atingido depois de um longo percurso cheio de tentativas. Escrever é uma questão de amor. A mente do escritor está em constante movimento criativo. É impossível parar.

– Você tem uma pessoa ou várias que lhe inspiram profundamente? Família, amigos, escritores…

Eu sempre tive um grande estímulo por parte da família e de amigas. Se não fosse por essas amigas, eu ainda estaria escrevendo pilhas de cadernos só para mim. Quanto as inspirações, posso citar a Bíblia, Tolkien, C.S Lewis e Marion Zimmer Bradley. A Bíblia pelo seu contexto histórico cheio de aventuras maravilhosas e dignas de qualquer épico; Tolkien e Lewis, por serem grandes mestres da fantasia e por terem criado histórias mágicas e sensíveis que ampliaram minha visão da batalha eterna do bem contra o mal; Marion, por entender tão bem o universo feminino e explorar os dilemas pessoais de seus personagens.

– Ser escritor no Brasil não é fácil e qualquer pessoa que tem um mínimo de convívio com livro sabe disso, então como foi essa experiência para você? Como foi superar a historia do “autor brasileiro iniciante”?

Há um ano atrás, eu diria que essa realidade que eu vivo hoje seria impossível, principalmente por ser cearense, e sentir na pele o quanto a elite literária daqui é fechada. Existe uma preocupação tão grande com a cultura nordestina, que escrever sobre um país imaginário, não desperta muito a atenção. Mas, felizmente, vivemos um bom tempo para os autores nacionais. Temos muitas editoras e blogs empenhados nessa luta para chamar a atenção para os novos autores nacionais. Foi assim que a MODO entrou na minha vida e realizou um sonho que parecia impossível. Mas a luta continua, mesmo com o livro publicado, pois o nosso lugar tem que ser conquistado ainda. O preconceito e o descaso ainda imperam. Acho que ainda veremos uma feira apenas de livros nacionais sendo realizada. Tudo é possível.

– Você já recebeu alguma critica péssima que tirou você dos eixos por dias?

Eu temo muito esse momento, mas graças a Deus ele ainda não chegou. Sei que como é o meu primeiro livro, críticas duras virão, e eu devo me preparar para elas. Talvez eu fique arrasada por alguns dias, mas não vou deixar de escrever por causa disso. Resenhas positivas como as que o livro tem recebido vão me ajudar a prosseguir. Felizmente, até agora, todas as pessoas que leram o livro o aceitaram bem.

– O livro 1 está pronto, o livro 2 está a caminho da editora e o 3 em processo de finalização, mas e aí? Esse será o fim de Hedhen? Já tem outro projeto a caminho ou em desenvolvimento? (A partir desse momento você já conhece o blog e meu email, pensou em escrever um livro, já me avisa! Ok? *-*)

Posso dizer que tenho projetos na gaveta, mas ainda sem previsão para tirá-los de lá. Quero dar toda a minha atenção para a saga que comecei, e que parece que vai crescendo cada vez mais a cada livro. No princípio seria apenas um livro, mas Hedhen cresceu demais na minha mente e a história tomou novos rumos. Quando eu terminar em definitivo o quarto livro (e talvez o último), poderei pensar nos outros projetos.

– E nesses tempos de estrada, qual foi a melhor e a pior parte de ser escritora para você até hoje?

A melhor parte foi ver o meu livro publicado, lido e compartilhado com pessoas que têm se emocionado com a história e com os personagens, além de poder abrir a minha boca e dizer que sou escritora, rsrsrs. Acho maravilhoso quando minhas filhas dizem para os amigos: “minha mãe é escritora”. A pior parte é ver o quanto ainda vou ter que lutar, enquanto autora nacional, para conquistar meu lugar em meu próprio país, e em meu próprio estado.

– E para finalizar, vou colocar você na saia justa. Kkkk Qual seu personagem favorito? E só vale um, ein!! Kkkkk

Deborah, sem dúvida! Por ter sido a mais difícil de trabalhar, e por toda a luta que passou. Acompanhar os passos dela, traçando o seu caminho, tentando pensar por ela. É até estranho para eu dizer que criei a Deborah, porque ela é alguém que eu gostaria que existisse de fato. Apesar de amar Jael, acho que foram os dilemas de Deborah que me focaram na história. Diante disso, você pode imaginar o quanto eu chorei escrevendo esse livro.

 ***

Cristina, se você chorou, imagina eu! Tenho total consciencia das partes que vocês está falando, e OH MY GOD! Coitada de mim! kkkk E posso lhe assegurar que atingiu todos os objetivos quanto a Barak e Héber, lindos de mais!! E a mulher líder na minha opinião é sem sombra de dúvidas um ponto forte no livro, adoro mulheres assim!

Bem, outra coisa que é fato é o Preconceito contra livros/autores nacionais, que como mencionei em outro post é RIDÍCULO!

Enfim, chega de comentários. O que interessa é que a Ana Cristina Aguiar é uma fofa e escreve maravilhosamente bem!

MUITO OBRIGADA ANA, POR TUDO! LIVRO MARAVILHOSO, HORAS DE CONVERSAS MUITO BEM APROVEITADAS E OPINIÕES SOBRE MEUS TEXTOS HORRENDOS! RSRS COMO SABE, SEU LIVRO ESTÁ NOS MEUS PREFERIDOS DE 2012. ADOREI!!

O que acharam da entrevista?

Beijos,

Laury.

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