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[Entrevista] Amanda Reznor

Olá!! Como vão? Hoje vim trazer para vocês a entrevista que fiz com a Amanda Reznor, autora do livro Delenda. Quem leu a resenha sabe o quanto morri de medo do livro, mas se você pensa que termina por ai está muito enganado!  Arrepiei até o meu ultimo fiozinho de cabelo lendo certas respostas. kkkk Tenho quase certeza que não falei aqui como conheci a Amanda, pois bem, pura coincidência do destino. Encontrei ela no estande de uma editora que nem a dela era, ou seja, era para encontrar mesmo, não acham? Não comprei o livro na Bienal, porque simplesmente acabaram, mas ganhei o meu lindamente autografado. Fofíssimo. *-* E assim como a autora, macabramente fofo. kkkk

Vamos conhecê-la mais um pouco?  Espero que gostem!!

– Meu Deus, um minuto de silêncio para todas as mortes. Rsrs Vai, pode confessar, você desde pequena adora filme de terror. É ou não é?

 

Primeiramente, obrigada pela oportunidade da entrevista, Laury! E, sim, é verdade, meu gênero favorito é terror-suspense desde que sou pequena, principalmente os de tema sobrenatural!

– O Vale dos Segredos é aterrorizante, pelo menos para mim foi muito, mas de onde você tirou ele? Ele simplesmente surgiu em sua mente?

Bom, desde que meus pais se separaram, quando eu tinha sete anos, comecei a inventar mundos e personagens – acredito que para fugir da dor da realidade. Mas minha mãe vivia se mudando, e, nas mais de 14 escolas em que estudei, diferentes cidades em que morei e 17 casas para as quais me mudei, tive muitas experiências e conheci muitas pessoas que permitiram enriquecer essas estórias que eu criava para mim mesma. No finalzinho de 2003, quando eu ainda morava em Nova Monte Verde, no Mato Grosso, estava sentada na varanda, de costas para o terreno escuro, quando a Cláudia começou a surgir na minha mente, naquele quarto escuro de um mansão desconhecida. Eu ainda não sabia, é claro, o rumo e a proporção exata que o Vale dos Segredos iria tomar, mas já comecei a rascunhar o desenho da casa e todos os personagens que fariam parte do enredo. Eu também já havia criado o Vale, só que antes, aos 12 anos, em uma estória que nunca havia continuado a escrever, e aproveitei para colocar a mansão nessa região do Vale. Depois disso, as cenas começaram a vir na minha cabeça, e eu ia anotando, sem escrever o livro totalmente.

Em 2010, quando descobri a existência dos concursos literários resolvi tirar o Vale da gaveta e escrevi suas primeiras 260 páginas. É claro que não ficou como está agora – precisou de uma série de revisões e reviravoltas, até que, no começo de 2012, reescrevi o livro todo em 300 páginas – com a diagramação, o editor “apertou” essas 300 páginas em 238 – e aí o Vale tomou proporções tão gigantescas na minha cabeça que eu já conhecia o que havia além da Baixa Montanha e o passado da região. Por isso o segundo livro da série, Alucinações do Escuso, já está sendo escrito, mas vai demorar um pouco para ficar pronto, pois, acredite-me, se você gostou de Delenda, esse próximo livro será fenomenal.

– O livro conta com muitos personagens e muitas reviravoltas e intrigas entre eles, mas o que chamou atenção (ao menos a minha) foi que, mesmo com tanto personagens, cada um tem uma personalidade bem distinta. Por isso fiquei curiosa, como é seu processo de criação deles?

Como eu disse, por haver morado em cidades e estados diferentes eu tive contato com diversos tipos de pessoa, crianças, adultos, velhos, ignorantes, intelectuais, caboclos, urbanos, ricos e pobres; essa miscelânea favorece, por si só, que eu sempre imagine uma pessoa baseada em alguém que conheci, ou admirei, ou tive repugnância, conforme o caso. No livro Delenda, em especial, não planejei como cada personagem seria antes de escrever o livro. Eles foram adquirindo personalidade no decorrer do enredo – o que não deixa de ser um risco, mas, parece-me, deu certo neste caso.

– Algum personagem foi inspirado em alguém do seu dia a dia? Ou totalmente ou em partes?

Então, parte desta pergunta também já respondi na anterior. Eu não me baseei especificamente em uma pessoa só, mas numa mistura de rostos e caráter das muitas pessoas que conheci .Se há um personagem que tem forte apelo na realidade, este certamente é Cláudia, a quem conferi muitos traços de minha própria personalidade.

– Como eu comentei na resenha, você é audaciosa e parece não dar a mínima para o que vão dizer, mata os personagens sem dó, escreve cenas bizarras a torto e a direita, você escreve o livro como tem vontade mesmo. De onde tirou toda essa audácia ao escrever? Alguém lhe ensinou ou simplesmente nasceu com você?

Hahaha! Olha, em parte essa audácia pode ser inexperiência. Como este é o meu primeiro livro, haverá falhas que eu ainda não percebo, e realmente faltou a ajuda de uma revisão profissional. Mas, por outro lado, o Vale dos Segredos faz parte de mim, é uma coisa minha, e eu o escrevo por gosto, adoro me transferir para aquele lugar e sentir o que ele me traz, seja a mistura do medo com a aventura ou do perigo à espreita; escrever pode ser muito cansativo, por isso eu precisava descrever ambientes e cenas que agradassem a mim mesma, e que me dessem vontade de continuar escrevendo. Quanto às reviravoltas do livro, eu simplesmente sou assim: não gosto do corriqueiro, do normal, aprecio quando termina-se de contar algo e a pessoa se assusta. Eu gosto de surpreender a mim mesma quando estou escrevendo, e também quero passar o máximo de realidade, como se fosse mesmo possível que aquilo acontecesse com você, comigo, com o mundo; por isso às vezes o livro pode ser cruel – a vida não é boazinha, as pessoas não são boazinhas, a sociedade não será boazinha com você.

– O que você faria se fosse mandada para o Vale dos Segredos?

Olha, já fui para lá muitas vezes, e você viu o que eu aprontei naquele lugar! Haha Mas, supondo que um dia eu descobrisse que há um lugar muito parecido com o qual eu descrevi, eu adoraria ir para lá – mas precisaria ir acompanhada, pois morro de medo de escuro, de ficar sozinha, etc! – e entraria na mansão, porque eu adoro casas grandes – vocês já entraram em uma casa gigante? É muito legal! *—*–  eu ficaria hospedada na estalagem e iria passear ao redor do lago – só durante o dia! Rs – e esperaria para ver o que acontece lá. Se os mistérios que eu conheço do Vale dos Segredos fossem iguais aos da realidade, certamente eu teria muito o que desvendar por ali, inclusive um imenso castelo-labirinto com formato de formiga e que… Ops, já estou falando demais!

– Eu tive sérios problemas ao ler o livro. Eu não consegui ler a noite, já que o quarto da Cláudia parece ser a copia fiel do meu, ai toda hora eu ficava olhando pela sacada para ver se não aparecia uma gralha na antena da casa ao lado. rsrs E eu só li, fico pensando você que escreveu. Não teve nenhum pesadelo por causa do Vale dos Segredos e suas estórias?

Eu morria de medo enquanto estava escrevendo o livro, fosse de dia ou de noite, se eu estivesse sozinha no meu quarto. Quando descrevia certas cenas, olhava para a porta aberta atrás de mim e sentia um arrepio. O que eu coloco no Vale dos Segredos, porém, não é totalmente impossível de acontecer; algumas coisas foram baseadas em fatos muito estranhos que já se passaram comigo, e que eu irei descrever em outro livro que estou escrevendo, mas este baseado em fatos reais, chamado “Estórias que não entendemos – e outro segredo”. Essa gralha apareceu para mim em um sonho, exatamente como eu descrevi, mas ela não tinha chave no bico, e o homem em que ela se transformava me causou uma aflição extrema. Talvez por isso o livro consiga passar essa sensação de medo tão forte – porque ela é real.

– Por que decidiu ser escritora? Em que momento você disse “É isso que quero da vida!”? Ou esse momento ainda não chegou? Rsrs

Rsrs então, o mercado literário é muito restrito, mas é claro que eu não sabia disso antes de publicar o meu primeiro livro. Eu nunca tive essa intenção, ao menos não claramente, e eu escrevo desde criança, como eu disse, porque era a minha válvula de escape para fugir do sofrimento de quando meus pais se divorciaram. Além disso, há algo em mim que às vezes se acende e crepita, começa a gritar e me pede: escreva, fale sobre mim, o mundo precisa me conhecer! E é o que eu faço. A minha dica, para quem quer escrever e publicar seu livro é começar a partir de contos, como eu fiz – no ano de 2011 eu comecei a participar de concursos e tive vários poemas e contos aprovados e publicados; a partir disso, pude conhecer melhor o mercado e consegui a publicação do meu primeiro livro solo. Viver da escrita é um sonho, mas isso, porém, é difícil de tornar realidade em um país que pouco incentiva a leitura – todo autor precisa ter sua profissão independente dos livros. Viver de livros, no Brasil, é muita ilusão, por isso também me dedico à área de T.I. e tenho um curso inacabado em Farmácia.

– Ser escritor no Brasil não é fácil e qualquer pessoa que tem um mínimo de convívio com livro sabe disso, então como foi essa experiência para você? Como foi superar a historia do “autor brasileiro iniciante”?

Também já dei pinceladas nesta questão anteriormente – é preciso fazer contatos, “infiltrar-se” nos eventos e conhecer mais de perto as editoras, ouvir a experiência de outros escritores; isso, além de participar de concursos literários, é fundamental para qualquer autor iniciante. Porém, mais uma vez, a ilusão da fama e do dinheiro se tornará cada vez mais evidente para essas pessoas. A escrita deve ser levada em forma de arte, e não como fonte de sustento.

– Você já recebeu alguma critica péssima que tirou você dos eixos por dias?

Sim, mas não foi uma crítica aberta ao público. Foi uma crítica em relação à primeira versão do Delenda, que anteriormente chamava-se apenas Vale dos Segredos. Eu já esperava ouvir aquilo, pois sabia que havia escrito um romance rapidamente e sem muita experiência, porém as palavras foram ásperas e me desanimaram bastante; só que foi por isso que resolvi reescrever o livro todo com esmero, originando-se, assim, a versão atual do Delenda, que até o presente momento só me rendeu elogios ou pessoas que ficaram surpresas. Em relação aos contos, até agora só houve críticas positivas, mas eu me alegro que venham também as negativas, pois é o que nos impulsiona para escrever melhor e corrigir imperfeições da narrativa. Meu pai é o meu principal crítico, e eu ainda estou aguardando que ele termine de ler o Delenda para me dizer o que achou (ai! Rsrs).

– Você tem uma pessoa ou várias que lhe inspiram profundamente? Seja família, amigos ou até mesmo outros escritores?

Eu me inspiro na vida real, simples e puramente. Todo mundo que me rodeia pode ser “meu alvo” e entrar em uma de minhas personagens, mesmo que não propositalmente. Para o próximo livro, tenho a intenção de colocar uma pessoa real para cada personagem – não que a personagem terá exatamente a mesma personalidade ou atitudes dessa pessoa, mas terá os mesmos aspectos físicos e forma de se comportar. Acredito que isso não apenas trará maior realismo aos personagens, como também criará uma rede de integração entre diferentes pessoas que poderão apoiar o livro e levar a estória adiante.

– (Você já me respondeu pessoalmente, mas vou perguntar de novo para todo mundo ficar sabendo, ok? Rsrs) “Delenda” está pronto, no final dele temos um gostinho da “continuação” que vem por ai, mas esse não é o fim do Vale dos Segredos, não é? O que você anda planejando pra ele?

Eu planejei um final que fosse especial para o Delenda – ao mesmo tempo em que fosse o marco final da estória, que não precisasse de complementação, eu quis que o leitor desejasse mais, ainda que soubesse – e principalmente por saber! – que o livro acabou por ali. No próximo livro da série, Alucinações do Escuso (pode ser que este título mude, então não se apeguem muito a ele, ok? Rs), no qual já estou trabalhando desde 2010, a estória será levada na figura de outra personagem principal, Anna-LuceBeaux, na companhia de seus melhores amigos, Paulo e Felipe. Os três serão levados às entranhas do Vale dos Segredos para viverem aventuras que nunca ousariam imaginar; enquanto isso, revelarei cenas do que está se passando com os personagens anteriores, de Delenda, no outro lado do Vale. O enredo, porém, será outro, e não será preciso ler Delenda para ler o Alucinações do Escuso, e vice-versa: cada livro será independente, esta é a proposta inicial, e ela perdura! Tenho em mente, também, o terceiro volume da série, que será mais épico, pois entrará nas origens do Vale dos Segredos e no verdadeiro final de tudo, porém esse livro está programado para bem depois das aventuras de Alucinações do Escuso. E sim, é escuso, com “s”, de escondido, oculto.

– Além do Vale, você tem em vista a história de outro lugar ou outras pessoas? (quero saber de TUDO! Kkk)

Tenho sim outros projetos. Além dos contos já publicados e outros que serão publicados em 2013, tenho o “Estórias que não entendemos – e outro segredo”, que contará estórias sobrenaturais reais passadas comigo e com outras pessoas próximas; ao final desse livro, colocarei uma entrevista com todas as pessoas que participaram com suas experiências, e também fotos dos lugares e casas em que morei e onde aconteceram os casos – é um projeto que visa mostrar às pessoas, por mais que não acreditem, que há estranhas coisas e situações rondando nossas vidas. Outro livro em projeto é o Tratado Paranormal de Física Sobrenatural, que escreverei para conseguir manter o foco em Alucinações do Escuso, já que haverá mundos e realidades paralelas a explorar, além de lidar com aspectos sobrenaturais do reino onírico – dos sonhos, e também o livro Miragens & um Segredo, que é uma compilação de textos, poemas, minhas mais de 60 composições musicais e até quadrinhos. O Vale dos Segredos, no entanto, é o meu maior projeto atualmente, e tudo o que eu vier a escrever, descontando-se os contos, terá a ver com essa realidade louca em que eu acredito viverem seres e coisas das quais não fazemos a menor ideia.

 – E para terminar, qual foi a melhor e a pior parte de ser escritora para você até hoje?

Vou começar pelo pior (rs). Acho que o pior de ser escritora é ficar ouvindo que isso não é importante no momento, que estou desperdiçando tempo, como se isso fosse uma brincadeira minha que não mereça atenção maior. Mas é. Escrever é parte de mim, como sempre foi, e eu não deixo de fazer minhas obrigações porque estou escrevendo. Claro, ir a eventos e finalizar um livro dá trabalho, porém eu faço isso no meu tempo de lazer, deixando de sair para outros lugares e de ver televisão ou jogar videogame, por exemplo. Para se comprometer com a escrita, você deve deixar o lazer de lado.

Já a parte boa, ao menos quando você escreve bem, é ver seus textos serem publicados, reconhecidos, admirados, ver que você conseguiu evoluir e passar uma mensagem adiante, e que aquilo abalou as pessoas ou as fez ir mais longe no campo das ideias; a arte, enfim, é o prazer na sua forma mais simples: é sofrer e se sacrificar pelo parto de uma cria que, quando voltar para o seu colo, completa e perfeita aos seus olhos, receberá seus primeiros arroubos de amor e orgulho! 😉

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Então, quem mais arrepiou os cabelos lendo que muitas coisas do livro realmente aconteceram? Eu quase morri!! E claro, ri muito com a explicação do final, foi exatamente daquele jeito que me senti. Sei o final, mas me renego a aceitar e quero continuação mesmo já sabendo qual é. kkkkk Enfim, quero o próximo NOW!! Mas sabe o que realmente não sai da minha cabeça? Esse livro meio que de relatos. Certeza que vou morrer lendo esse livro, arrepiar até os cabelos da alma. kkkkk

Bem, chega de comentários!

MUUITO OBRIGADO AMANDA POR SEU TEMPO, ATENÇÃO E FOFISSE MACABRA! ADOREI!!

Gostaram?

Beijos!

Laury

0 Comments

  1. Ahhh, eu adorei, Laury xD Espero que os leitores continuem compartilhando suas opiniões, que são muito importantes para mim, e, sim, vou avisar quando o Estórias que não entendemos estiver pronto hehehe

    bjs,
    Amanda Reznor

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